No calor intenso do carnaval carioca, ambulantes desempenham um papel crucial vendendo bebidas e alimentos aos foliões. Contudo, esses trabalhadores enfrentam condições difíceis, como longas jornadas sob o sol e a necessidade de cuidar dos filhos durante o feriado, já que as escolas estão fechadas.
Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos, é uma dessas trabalhadoras. Residente da favela do Arará, ela leva sua filha de 4 anos junto aos blocos da Zona Sul, pois não tem com quem deixá-la. Taís explica que o carnaval é uma oportunidade crucial para garantir o sustento da família.
Outro exemplo é Lílian Conceição Santos, que trabalha no centro da cidade e cuida de três filhos e sobrinhos enquanto vende seus produtos. As crianças passam o dia em colchões, refrescadas por ventiladores, enquanto Lílian busca maximizar suas vendas durante o carnaval.
O movimento Elas por Elas, que representa as mulheres ambulantes, destaca a importância econômica do carnaval, que movimenta R$ 5,8 bilhões na economia do Rio. Elas cobram apoio do poder público, como a criação de espaços de convivência para as crianças e para as próprias trabalhadoras descansarem.
Neste ano, o movimento conseguiu, em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho e a prefeitura, um espaço para acolher crianças durante as noites de desfile. No local, as crianças participam de atividades lúdicas e recebem cuidados enquanto os pais trabalham.
Ambulantes como Luna Cristina Vitória têm aproveitado esse espaço para deixar seus filhos em segurança. Ela relata que o suporte oferecido é essencial para que possa se concentrar nas vendas.
A Secretaria Municipal de Assistência Social afirma realizar ações de prevenção ao trabalho infantil e destaca o espaço de convivência próximo à Sapucaí. Contudo, mães como Lílian Conceição gostariam que tais serviços fossem mais acessíveis em outras regiões da cidade.
O movimento Elas por Elas continua a pressionar por melhores condições para as trabalhadoras, incluindo a oferta de itens básicos de proteção e a ampliação dos horários dos centros de convivência. A prefeitura, no entanto, não comentou sobre essas demandas.
