Um tratamento inédito, com tecnologia de ponta, tornou-se uma história que inaugura uma nova fase na vida de Giuberlândia da Conceição. Natural de Guarabira, ela foi a primeira paciente a realizar tratamento com câmara hiperbárica no Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), recurso indicado para feridas de difícil cicatrização e infecções graves.
Ela chegou ao HSGER no dia 13 de dezembro, em estado delicado, após complicações decorrentes de uma hérnia estrangulada que perfurou o intestino. Depois de cirurgia e infecção da ferida operatória, o quadro evoluiu para um ferimento abdominal extenso, aberto e infectado, com febre persistente, mesmo sob uso de antibióticos.
“Eu sentia muitas dores na barriga e descobri que estava com uma hérnia. Quando fui ao hospital, ainda em Guarabira, ela já estava estrangulada, tinha perfurado o intestino, mas estava parada. Fiz a cirurgia, voltei para casa, mas a cirurgia infeccionou. E corremos e conseguimos vir para cá”, relembrou. “Quando cheguei aqui, fui atendida muito bem e, graças a Deus, estou aqui para contar a história. Fui a primeira pessoa a fazer esse tratamento com câmara hiperbárica e ele surtiu muito efeito. Rever os meus filhos não tem preço”, celebrou.
Após mais de 80 dias de internação – sendo 57dias apenas no HSGER, Giuberlândia recebeu alta hospitalar no dia 8 deste mês, mas segue comparecendo à unidade para curativos realizados pela Comissão de Pele, até o fechamento completo da ferida — ainda sem data definida. Mas agora ela chega diferente: “Já venho com sorriso no rosto, sabendo que meu tratamento é um sucesso e que pode abrir portas para outras pessoas.”
De acordo com o diretor hospitalar do HSGER, Ramonn Chaves, a implantação da câmara hiperbárica representa um salto na capacidade assistencial da unidade, que vem ampliando sua estrutura com investimentos contínuos em tecnologia e qualificação profissional. “O Hospital do Servidor General Edson Ramalho tem trabalhado permanentemente para oferecer o melhor tratamento aos seus pacientes. A chegada da câmara hiperbárica é resultado de investimentos constantes em melhorias, modernização da estrutura e capacitação das equipes. Nosso compromisso é garantir acesso a terapias modernas e eficazes, ampliando as possibilidades de recuperação, especialmente em casos complexos como o de Giuberlândia”, resume o gestor.
A câmara hiperbárica é um equipamento médico que utiliza oxigênio puro sob alta pressão para aumentar a oxigenação dos tecidos, acelerando cicatrizações de feridas complexas, tratando infecções graves, embolias e intoxicações por monóxido de carbono.
Humanização e cuidado integral – Para Jussara Fernandes, da gerência executiva de hospitalidade do HSGER, o caso simboliza o compromisso da unidade com o cuidado integral. “Buscamos enxergar o paciente como um todo. Ele não é apenas um diagnóstico, mas uma pessoa que precisa ser cuidada, vista e ouvida. A humanização é um dos nossos pilares, porque sabemos que o cuidado integral fortalece e contribui para uma recuperação mais rápida.”
Além do tratamento, o apoio emocional foi um diferencial ao longo da internação de Giuberlândia. A psicóloga Brenda Belforte explica que processos prolongados costumam impactar o estado psicológico dos pacientes. “Ela chegou muito introspectiva. Com o tempo, foi aceitando conversar mais, melhorando o ânimo. À medida que percebia os resultados do tratamento, ficou mais animada e positiva. A presença constante do marido também foi primordial.”
Magno Soares, esposo de Giuberlândia há 16 anos, decidiu deixar o emprego para acompanhá-la durante todo o tratamento. “Ao chegarmos aqui, ela foi a primeira paciente a receber a câmara hiperbárica e sei que isso foi primordial para que ela ficasse bem. É um avanço que mostra a excelente estrutura do Hospital Edson Ramalho. A partir do momento que a gente chegou aqui, a evolução foi real. Pedi demissão para acompanhá-la e não me arrependo.”
Como funciona a câmara hiperbárica – O médico cirurgião Alexandre Tamiro, que acompanhou o caso, explica que a câmara hiperbárica é um equipamento terapêutico no qual o paciente respira oxigênio a 100% sob pressão maior que a atmosférica. “Esse ambiente permite que uma quantidade muito maior de oxigênio seja dissolvida no sangue, favorecendo a oxigenação dos tecidos”, detalha.
Segundo ele, a indicação ocorreu porque a paciente apresentava comprometimento importante da oxigenação tecidual e o tratamento convencional isolado não seria suficiente. “A câmara hiperbárica foi indicada como terapia complementar, com o objetivo de potencializar a recuperação e melhorar a resposta ao tratamento principal. O tratamento foi realizado por meio de sessões programadas, seguindo protocolos médicos bem estabelecidos, sempre com monitoramento contínuo da equipe multiprofissional. Todo o processo foi conduzido de forma segura e controlada”, afirma.
Cada sessão dura, em média, 90 minutos, com descompressão final de 10 a 15 minutos. O paciente permanece em ambiente pressurizado, respirando oxigênio puro, acompanhado por médico e enfermeiro. “A paciente apresentou evolução clínica satisfatória e já recebeu alta, com melhora significativa do quadro. O fato de ela ter sido a primeira a utilizar a câmara hiperbárica no HSGER representa um marco importante para a instituição e amplia as possibilidades de tratamento oferecidas à população”, ressalta o médico.
