Mulheres conquistam espaço como mestras de bateria no carnaval carioca

Helen Maria da Silva Simão, pioneira à frente de uma bateria de escola de samba no Rio de Janeiro, celebrou o sucesso de Laísa Lima, a primeira mulher a liderar uma bateria na Sapucaí. Em uma entrevista à Agência Brasil, Helen expressou orgulho por Laísa e a esperança de que mais mulheres sigam seus passos.

Laísa Lima, de 26 anos, é mestra de bateria da Escola de Samba Arranco do Engenho de Dentro, da Série Ouro. Durante o desfile, ela comandou uma homenagem a Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça mulher negra do Brasil, representando Maria Bonita, enquanto sua bateria simbolizava o xote de Luiz Gonzaga.

Helen Maria destacou que o feito de Laísa, que também foi premiada como revelação do carnaval de 2026, demonstra a crescente diversidade entre as novas gerações de mestras. Ela ressaltou que essa diversidade é impulsionada por uma sociedade mais aberta, apesar das dificuldades que enfrentou devido ao machismo no passado.

Outro destaque do carnaval foi mestre Markinhos, de 31 anos, homem LGBTQIA+, que desfilou ao lado de seu pai, mestre Marcão, na Paraíso do Tuiuti. Markinhos, diretor de chocalho, comentou sobre os desafios enfrentados devido à homofobia e transfobia, mas enfatizou o apoio que recebeu de sua família e colegas.

A pesquisadora de carnaval Helena Theodoro explicou que as baterias são o coração das escolas de samba, e a presença de mulheres nesses postos reflete uma mudança na sociedade desde a década de 1960. Helen Maria, que começou no carnaval ainda criança, hoje dirige o naipe de chocalhos da Siri de Ramos.

Laísa Lima, há quatro anos mestra de bateria de escolas do grupo de acesso e responsável pelos tamborins da Beija-Flor de Nilópolis, agradeceu em suas redes sociais o apoio recebido, destacando a importância de outras mulheres, como a presidenta da Arranco, Tatiana Santos, e a carnavalesca Annik Salmon. Em 2027, Laísa estará novamente à frente da bateria da Arranco.

Fonte: Agência Brasil

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