O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como essencial para enfrentar o crime organizado. A declaração foi feita no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Boulos destacou que a proposta enviada pelo governo ao Congresso Nacional no ano passado oferece condições de trabalho à Polícia Federal e outras instituições de segurança pública para combaterem o crime em todo o território nacional, atualmente uma atribuição dos estados.
Ele questionou como a Polícia Civil de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Bahia poderia combater o crime organizado em todo o Brasil, afirmando que cada uma atua em seu território.
O ministro acredita que a PEC tem chances de ser aprovada no Congresso Nacional e que poderia ser mais eficaz com uma possível cooperação dos Estados Unidos no combate ao crime organizado no Brasil. Boulos criticou a postura do então presidente Donald Trump, afirmando que seu interesse não era o combate ao crime, mas fazer da América Latina um quintal.
A cooperação entre Brasil e Estados Unidos deverá ser discutida em uma reunião prevista para março entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Boulos defendeu que essa parceria comece com a investigação e prisão de criminosos que se escondem nos Estados Unidos, mencionando um esquema de sonegação fiscal envolvendo a Refinaria de Manguinhos.
Ele sugeriu que, se o interesse dos Estados Unidos não for pelas riquezas da América do Sul, que colaborem com o Brasil na deportação de investigados. Boulos pediu que criminosos vivendo livremente em Miami, envolvidos em esquemas como o dos combustíveis no Rio de Janeiro, sejam presos.
O ministro também ressaltou o empenho do governo federal em investigar crimes no Brasil, mencionando o fortalecimento da Controladora-Geral da União para apurar fraudes, como as do INSS. Ele destacou que, apesar de algumas fraudes terem começado antes do atual governo, isso não impediu a investigação de indicados políticos.
Boulos pediu um debate saudável sobre segurança pública no Brasil, comprometido com a transparência. Ele lembrou o papel do Supremo Tribunal Federal na manutenção da democracia, apesar das críticas, e afirmou que nenhuma instituição está acima da crítica, mas que críticas devem ser construtivas e dentro do espírito democrático.
