Guilherme Boulos defende mudanças na jornada de trabalho e direitos de trabalhadores de aplicativos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reafirmou nesta segunda-feira (23) que uma das principais prioridades do governo federal este ano é acabar com a escala de trabalho 6×1. Ele propõe uma nova configuração de, no máximo, 5×2, garantindo ao trabalhador dois dias de descanso por semana e reduzindo a jornada máxima para 40 horas semanais sem redução de salário.

Durante a participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Boulos comentou que a resistência dos empresários à medida já era esperada, comparando a situação a avanços históricos como o salário mínimo e o 13º salário. Ele destacou que, historicamente, essas mudanças não resultaram em colapso econômico.

Boulos também ressaltou a importância de aprovar a PEC da Segurança Pública para a criação de um Ministério da Segurança Pública com atribuições definidas por lei. Outro foco do governo é garantir direitos aos trabalhadores de aplicativos de transporte, estabelecendo taxas fixas para que os trabalhadores não sejam prejudicados financeiramente.

O ministro criticou o modelo atual, onde empresas de aplicativos retêm uma grande parte do lucro sem realizar o trabalho operacional. Ele afirmou que o debate se estende aos entregadores por aplicativo, e mencionou a criação de um grupo de trabalho para formular propostas de regulação trabalhista para a categoria.

A participação de Boulos no programa foi transmitida ao vivo dos estúdios da Rádio Nacional, em São Paulo. No mesmo dia, ele retornou a Brasília para uma reunião com lideranças indígenas do Pará, que protestam contra o Decreto nº 12.600, que inclui hidrovias no Programa Nacional de Desestatização.

No final de semana, representantes do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns ocuparam o escritório da multinacional Cargill em Santarém, exigindo a revogação do decreto, alegando ameaças ao meio ambiente e à soberania alimentar. Boulos afirmou que defende a pauta indígena e espera que haja avanços nas negociações.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de revogação do decreto, o ministro explicou que a decisão ainda será debatida com outros ministérios envolvidos na elaboração do decreto. Ele reforçou sua intenção de atender às reivindicações indígenas, considerando-as justas e necessárias.

Fonte: Agência Brasil

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