Estudantes protestam contra violência de gênero no Colégio Pedro II

O estupro coletivo sofrido por uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, destacou a necessidade de uma educação clara sobre violência de gênero e sexualidade. Estudantes protestaram em frente à reitoria da escola, exigindo medidas em defesa das mulheres.

Além do crime recente, a Polícia Civil investiga outros dois casos envolvendo estudantes do Pedro II, atacadas por integrantes do mesmo grupo, incluindo um adolescente apontado como mentor das emboscadas.

Durante o protesto, Ana Belarmino, porta-voz dos grêmios estudantis, destacou a importância de retomar aulas sobre violência de gênero e educação sexual. Ela mencionou a dúvida de uma vítima sobre a violência sofrida como um sinal da falta de conhecimento.

Ana defendeu que temas como o conhecimento dos corpos e tipos de violência sexual voltem às salas de aula. Ela criticou o silenciamento do debate no colégio, atribuindo-o a pressões de movimentos reacionários.

Gabriel Pinho Leite Monteiro, presidente do grêmio do campus Humaitá, reforçou a necessidade de medidas contra assédio moral e sexual, afirmando que isso não tem relação com doutrinação política.

No Brasil, leis como o Programa Saúde na Escola e a Base Nacional Comum Curricular preveem a discussão de gênero e educação sexual, mas enfrentam resistência de setores que alegam estímulo à sexualidade precoce.

Os estudantes também cobraram a implementação de uma política contra o assédio, aprovada em 2025. Somente recentemente, a reitoria criou uma comissão para lidar com casos de assédio e discriminação.

A professora Priscila Bastos, representando o sindicato dos servidores, afirmou que a escola não está preparada para lidar com o assédio, e as denúncias são tratadas com atraso e burocracia.

O Coletivo Resistência, formado por pais e ex-alunos, apoia a criação de políticas de combate ao assédio, mas acredita que o avanço depende do apoio da sociedade.

A reitoria do Pedro II afirmou que enfrenta e previne violências com seriedade e realiza ações de acolhimento e apuração desde janeiro de 2026. Em nota, garantiu que não há silêncio institucional sobre o tema.

Fonte: Agência Brasil

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