A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que o aumento do preço do diesel, anunciado pela Petrobras nesta sexta-feira (13), evidencia “graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil”.
De acordo com a entidade, a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora, ocorrida em 2019, são exemplos dessas limitações. A FUP defende que a Petrobras expanda o parque nacional de refino e fortaleça sua presença em toda a cadeia do setor, abrangendo distribuição e comercialização.
“Uma Petrobras integrada amplia a segurança do abastecimento, reduz a vulnerabilidade do país às oscilações externas e contribui para maior estabilidade na formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico”, afirma a nota da FUP.
O preço do diesel vendido às distribuidoras será reajustado em R$ 0,38 por litro a partir de sábado (14). A estatal informou que o preço médio do diesel para as distribuidoras aumentará para R$ 3,65 por litro, com a participação da Petrobras no preço do diesel B sendo, em média, de R$ 3,10.
O diesel A é o vendido nas refinarias antes de ser misturado a biocombustíveis, enquanto o diesel B é o comercializado nos postos ao consumidor final após a mistura obrigatória feita pelas distribuidoras.
A Petrobras explicou que o reajuste foi mitigado por medidas do governo federal para conter a alta do combustível, anunciadas na quinta-feira (12). Contudo, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, em meio à guerra no Oriente Médio, pressiona os preços.
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa duas semanas nesta sexta-feira. Uma das retaliações do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O gargalo na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, elevando os preços. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent está próximo de US$ 100. Há duas semanas, a cotação era de cerca de US$ 70, representando um aumento de 40% em 15 dias. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.
