Na comunidade Três Moinhos, em Juiz de Fora, Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, enfrenta uma situação difícil após sua casa ser destruída por enchentes. Ele se abriga em um colchão na garagem, cercado por destroços e um carro soterrado. Um teto improvisado com colchonete e pedaços de telha é sua única proteção contra a chuva.
Na noite de 23 de fevereiro, Gilvan escapou por pouco de ser uma das vítimas das enchentes que devastaram a Zona da Mata Mineira, resultando na morte de 73 pessoas em Juiz de Fora e Ubá. Sua casa ficou inabitável, forçando-o a dormir ao ar livre, mesmo com a previsão de novas chuvas.
Gilvan, que sofreu um infarto recentemente, depende de trabalhos informais para sobreviver. Ele afirma que não recebeu ajuda e busca uma solução para sua moradia. Sem definição sobre a liberação da área ou planos de reassentamento, ele planeja reconstruir sua casa com recursos limitados.
A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, também enfrenta dificuldades para reconstruir sua vida. A venda de cana-de-açúcar, sua única fonte de renda, foi paralisada. Sem acesso para veículos, o transporte da produção tornou-se inviável, e ela improvisa para tentar sobreviver.
Kasciany espera que o barro seque para retirar a Kombi da família, presa na lama, e retomar o trabalho em outro local. Sua casa foi interditada, assim como a de vizinhos, e as crianças estão sem ir à escola. Ela pede medidas urgentes para a comunidade, como a liberação de máquinas para limpeza das ruas.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que o auxílio calamidade será creditado nas contas das famílias afetadas na próxima segunda-feira. Foram contabilizadas 1.008 moradias destruídas e oito imóveis demolidos. Famílias desabrigadas foram encaminhadas para hotéis, e a rede municipal retomou atividades em várias unidades, embora algumas escolas permaneçam fechadas.
