ONU reconhece tráfico transatlântico de escravos como o mais grave crime contra a humanidade

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução reconhecendo o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade já cometido. A medida, aprovada pela maioria dos países, estabelece que os Estados-Membros devem considerar a apresentação de desculpas e contribuir para um fundo de reparação.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou a necessidade de enfrentar os legados duradouros da escravidão, como a desigualdade e o racismo. Ele enfatizou a importância de remover barreiras que impedem pessoas de ascendência africana de exercerem seus direitos e realizarem seu potencial.

Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias em colônias europeias. O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, em 1888, e recebeu mais de 4 milhões de africanos escravizados.

A proposta, apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, recebeu 123 votos a favor, incluindo o do Brasil. Apenas três países votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina. Houve 52 abstenções, principalmente de países europeus envolvidos no tráfico de escravizados.

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou que enfrentar essas injustiças é um imperativo moral e uma responsabilidade coletiva. O representante dos Estados Unidos, Dan Negrea, classificou a resolução como ‘altamente problemática’ e declarou que o país não reconhece um direito legal a reparações por injustiças históricas.

A declaração aprovada ressalta a importância de abordar injustiças históricas e promover justiça, direitos humanos e reparação. O documento solicita a restituição de bens culturais e artefatos históricos aos seus países de origem.

Fonte: Agência Brasil

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