Conflito no Irã e impacto no mercado de petróleo destacam vulnerabilidade energética do Brasil

A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz estão expondo a insegurança energética do Brasil, que interrompeu projetos de ampliação do refino no país devido à operação Lava Jato e à pressão de multinacionais do petróleo.

Essa é a avaliação de José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que lançou o livro ‘Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro’, abordando o uso do hidrogênio na transição energética. A obra foi editada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Em entrevista à Agência Brasil, Gabrielli destacou que os Estados Unidos tentam influenciar o mercado mundial do petróleo por meio de intervenções na Venezuela e no Irã. Ele afirmou que a guerra pode alterar a geografia do comércio, aumentando a participação do Brasil, Canadá e Guiana na oferta de óleo bruto para China e Índia.

Sem capacidade de refino suficiente para atender à demanda interna, especialmente de diesel, o Brasil estaria vulnerável às turbulências atuais. Gabrielli também comentou sobre o papel das importadoras de combustíveis no Brasil e o impacto da guerra na transição energética.

Segundo Gabrielli, os Estados Unidos buscam controlar o mercado de petróleo, o que se reflete nas ações contra a Venezuela e no interesse pelo mercado paralelo do Irã. Ele mencionou que Canadá, Guiana e Brasil são cruciais para a nova oferta de petróleo prevista para 2027.

Gabrielli destacou que o Brasil enfrenta um problema de segurança energética devido à falta de capacidade de refino. Após a operação Lava Jato, a expansão do refino foi inibida, deixando o país dependente de importações.

Ele também criticou a atuação especulativa dos importadores de combustíveis, que só operam quando o preço internacional é mais vantajoso. Gabrielli afirmou que, apesar do aumento da operação das refinarias brasileiras, a demanda ainda não é totalmente atendida.

Sobre a transição energética, Gabrielli ressaltou que não é possível prescindir de combustíveis fósseis no momento. Ele acredita que, embora os preços altos possam inicialmente contrair a demanda, a transição energética deve se intensificar a longo prazo.

Gabrielli comentou que o hidrogênio verde pode ser uma alternativa ao combustível fóssil, mas isso requer a criação de um novo mercado. Ele destacou a necessidade de descarbonizar setores como a indústria siderúrgica e a aviação para viabilizar o crescimento do hidrogênio verde.

Ele concluiu que, para que o hidrogênio verde domine o mercado de combustíveis até 2035, as decisões políticas e de mercado precisam começar a ser tomadas agora.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais