Pressionado por programas sociais e reajustes ao funcionalismo, o Governo Central, que inclui o Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, apresentou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira pelo Tesouro.
O déficit primário ocorre quando as despesas superam as receitas, sem considerar os juros da dívida pública. Apesar do saldo negativo, houve uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 31,598 bilhões.
O desempenho superou as expectativas do mercado, que previa um déficit de R$ 34,3 bilhões, conforme a pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda. O resultado reflete um aumento nas receitas, impulsionado pela arrecadação de tributos, mas também um crescimento das despesas, especialmente em áreas como Previdência, pessoal e programas sociais.
No acumulado do ano, o governo ainda mantém um superávit, graças ao resultado positivo de janeiro, o que ajuda a equilibrar parcialmente as contas.
Em fevereiro, o resultado negativo foi influenciado por receitas menores do que os gastos totais do governo. A arrecadação cresceu acima da inflação, com destaque para o aumento de tributos como IOF e Cofins, além do crescimento das contribuições para a Previdência Social.
Os gastos também aumentaram, pressionando o resultado final, com avanços em despesas relacionadas a políticas públicas, aumento no número de beneficiários e reajustes salariais.
No primeiro bimestre, o governo ainda registra resultado positivo por causa do superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro. Tradicionalmente, o primeiro mês do ano é caracterizado por resultados positivos.
A meta do governo para 2026 é encerrar o ano com superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. Na prática, o resultado primário pode variar entre zero e R$ 68,6 bilhões de superávit.
Em janeiro e fevereiro, os investimentos somaram R$ 9,527 bilhões, representando uma alta de 49,7% em relação ao mesmo período do ano passado, descontada a inflação.
