Ministério retifica certidões de óbito de vítimas da ditadura

A professora e ativista Victória Grabois perdeu o pai, Maurício, o irmão, André, e o marido, Gilberto Olímpio, em 1973, assassinados por agentes do Estado na Serra do Araguaia. Eles atuavam na guerrilha contra o regime de exceção. Victória afirma que não pode parar e que fará tudo para divulgar a memória e acabar com o silenciamento.

Passados 53 anos, Victória, agora com 82 anos, admite não ter esperanças reais de descobrir o que aconteceu com seus familiares, mas reforça a importância de lutar pela verdade e memória. Ela deseja que os arquivos sejam abertos para revelar como e onde seus entes queridos foram mortos. Os corpos nunca foram entregues à família.

Nesta terça-feira (31), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entregam 27 atestados de óbito retificados na Universidade Federal da Bahia. Entre eles, está o de Maurício Grabois, cuja causa da morte foi corrigida para ‘ação violenta do Estado’. Maurício foi deputado constituinte em 1946.

Victória, uma das fundadoras do movimento Tortura Nunca Mais, vive no Rio de Janeiro e não estará presente no evento. Ela pede que o Estado investigue o que ocorreu com as vítimas da ditadura, além de corrigir os atestados de óbito. O movimento homenageou defensores dos direitos humanos com a medalha ‘Chico Mendes’, lembrando também revolucionários do passado e mães que perderam filhos para a violência policial.

A ativista destaca a importância de filmes brasileiros sobre a ditadura para aumentar a conscientização sobre o período. Segundo Eugênia Gonzaga, presidente da comissão de mortos e desaparecidos, a retificação das certidões de óbito é uma medida de reparação importante, mas critica a falta de abertura completa dos arquivos das Forças Armadas.

Além do documento de Maurício Grabois, outras certidões prontas para entrega incluem as de Carlos Lamarca e Stuart Edgar Angel Jones. As famílias de outros desaparecidos também poderão receber os documentos, como parte de um esforço para oferecer respostas às famílias de mortos e desaparecidos políticos.

Fonte: Agência Brasil

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