O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, afirmou que o Acampamento Terra Livre, encerrado neste sábado (11) em Brasília, cumpriu seu papel de cobrar os Três Poderes pela garantia dos direitos dos povos indígenas.
O evento reuniu mais de sete mil indígenas de todas as regiões do país. Em entrevista, Tuxá destacou que a principal demanda é a aceleração das demarcações de territórios. Durante a semana, as marchas alertaram o Congresso Nacional sobre ameaças em tramitação no Legislativo.
Tuxá expressou repúdio ao marco temporal (PEC 48), considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta foi aprovada no Senado e aguarda análise na Câmara. Outra preocupação é o projeto de lei 6050, que visa abrir terras indígenas para grandes empreendimentos.
Apesar do reconhecimento de que 20 territórios foram demarcados nos últimos três anos, Tuxá criticou a lentidão do Executivo. Ele esperava ações mais ambiciosas em termos de demarcações e proteção das terras indígenas.
Os indígenas também manifestaram contrariedade ao projeto da Ferrovia Ferrogrão, cuja votação foi adiada no STF. A construção exigiria alterações nos limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA).
Tuxá comentou que os indígenas retornam aos seus territórios com sentimentos mistos. Ele lamentou que, apesar de algumas ações, como a formação de grupos de trabalho, não houve avanços significativos em demarcações e homologações de terras.
