O julgamento de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será retomado nesta terça-feira (14) pela manhã. A sessão, que teve início na segunda-feira (13) após adiamento, ocorre no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Antes do início do julgamento, houve o sorteio dos sete jurados que compõem o conselho de sentença, responsáveis por decidir o mérito da causa. Durante a sessão, foram ouvidas as testemunhas do caso e o réu Arielson, enquanto Marílio permanece foragido.
A previsão é que os debates entre o Ministério Público, assistente de acusação e defesa ocorram amanhã. A sessão está sob a condução da Juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.
Os réus enfrentam acusações de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito, em relação ao assassinato de Mãe Bernadete em 2023, no município de Simões Filho. Arielson também responderá por roubo.
Outras três pessoas denunciadas pelo Ministério Público da Bahia, incluindo o suposto mandante Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda aguardam julgamento.
Mãe Bernadete, de 72 anos, foi assassinada com 25 tiros dentro de casa, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, no dia 17 de agosto de 2023. Homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares reféns e executaram a ialorixá.
Ela era uma liderança ativa na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, defendendo o território e lutando contra o racismo. O assassinato ocorreu apesar das frequentes ameaças que ela denunciava e de sua participação no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Devido à repercussão do caso, o Tribunal de Justiça decidiu pelo desaforamento do processo para Salvador, com o objetivo de garantir uma sentença imparcial.
