Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque iniciaram uma atividade de monitoramento na Praia do Pontal, parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A cerca de 200 metros da faixa de areia, um dos mergulhadores capturou uma tartaruga marinha, seguido por outra captura semelhante.
A ação, observada por pescadores e banhistas curiosos, faz parte do Projeto Costão Rochoso, da ONG Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento. A iniciativa busca evidências científicas para a preservação e recuperação dos costões, áreas de transição entre o mar e o continente.
O projeto, em parceria com a Petrobras, tem como objetivo descobrir a origem das tartarugas que habitam Arraial do Cabo, um dos litorais com maior concentração de tartarugas-verdes em área de alimentação. Juliana Fonseca, bióloga e uma das fundadoras do projeto, destaca que todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil estão presentes em Arraial.
Após a captura, as tartarugas são levadas para a areia, onde passam por exames que incluem pesagem, medição e coleta de tecido, semelhantes a uma biópsia, para entender sua origem. Juliana explica que, apesar da alta densidade de tartarugas-verdes na região, a origem delas ainda é desconhecida.
O projeto também monitora a saúde das espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em várias praias de Arraial do Cabo e na Ilha de Cabo Frio. O monitoramento utiliza fotografias e softwares para identificar os indivíduos, comparando as placas na cabeça das tartarugas, semelhantes a impressões digitais humanas.
Desde 2018, cerca de 500 tartarugas foram catalogadas, e 80 passaram por coleta de DNA, com análises em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF). Outro aspecto do projeto é estudar a distância que as tartarugas aceitam de aproximação humana, visando criar uma cartilha de boas práticas para observação.
A atividade atrai a curiosidade de banhistas, que são informados sobre o objetivo preservatório do projeto. Isabella Ferreira, bióloga e pesquisadora, explica que a captura das tartarugas requer formação específica e autorizações do ICMBio e do Projeto Tamar, garantindo a legalidade e segurança do processo.
