Um relatório da Unesco, divulgado em Paris, ressalta a significativa contribuição de seus sítios protegidos para o meio ambiente e as populações locais. No Brasil, locais como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional de Iguaçu são destaques. O primeiro foi incluído na lista do Patrimônio Mundial durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Delhi, em 2024, enquanto o segundo já está na lista desde 1986.
O Parque Nacional dos Lençóis abriga espécies ameaçadas como o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho. O relatório aponta que, embora as populações de animais selvagens tenham diminuído globalmente, aquelas em áreas protegidas pela Unesco permaneceram estáveis. Um quarto desses sítios pertence a territórios de povos indígenas.
O documento ‘People and Nature in Unesco Sites: Global and Local Contributions’ examina a rede de Sítios do Patrimônio Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Mundiais. São mais de 2.260 sítios cobrindo uma área maior que a da China e da Índia juntas. Segundo o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, esses locais produzem impactos positivos para a biodiversidade e comunidades.
O relatório destaca que os sítios da Unesco abrigam mais de 60% das espécies mapeadas globalmente, armazenando cerca de 240 gigatoneladas de carbono. Apesar disso, enfrentam pressões crescentes, com 90% sujeitos a altos níveis de estresse ambiental. Mais de um em cada quatro sítios pode atingir pontos críticos de ruptura até 2050.
A conexão entre natureza e comunidades é ressaltada, abrigando quase 900 milhões de pessoas. Mais de mil línguas são documentadas nesses locais, com 25% abrangendo terras de povos indígenas. O relatório sugere que ações imediatas podem reduzir riscos futuros, recomendando intensificação em quatro áreas prioritárias, incluindo a restauração de ecossistemas e a integração dos sítios em planos climáticos globais.
A Unesco afirma que seus sítios demonstram a possibilidade de coexistência próspera entre pessoas e natureza, com exemplos de estabilização de populações de animais selvagens e recuperação de espécies em áreas de conflito. O relatório, realizado em parceria com diversas instituições de pesquisa, enfatiza a necessidade de reconhecer esses locais como ativos estratégicos para enfrentar desafios ambientais e sociais.
