A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando uma proposta de instrução normativa que estabelece procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, conhecidos como canetas emagrecedoras.
A popularização dessas canetas, que incluem princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, levou ao uso indiscriminado e ao mercado ilegal, sendo que sua aquisição deve ser feita apenas com receita médica.
Devido aos riscos à saúde, a Anvisa está implementando medidas para combater o comércio ilegal, incluindo versões manipuladas sem autorização. A agência também formou grupos de trabalho para apoiar o controle sanitário e garantir a segurança dos pacientes.
Neste mês, a Anvisa, junto com o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Odontologia e o Conselho Federal de Farmácia, assinou uma carta de intenção para promover o uso seguro e racional das canetas emagrecedoras.
A proposta visa prevenir riscos sanitários associados a práticas irregulares e proteger a saúde da população. A Anvisa e os conselhos planejam uma atuação conjunta baseada na troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas.
Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, destacou que o uso de canetas emagrecedoras representa uma revolução no tratamento da obesidade e diabetes, mas o uso indiscriminado é preocupante.
Dornelas mencionou que a importação de insumos para manipulação de canetas emagrecedoras tem sido incompatível com o mercado nacional, com dados da Anvisa mostrando a importação de mais de 100 quilos de insumos no segundo semestre de 2025.
Ele também apoiou a decisão da Anvisa de exigir que farmácias retenham as receitas desde junho do ano passado, sugerindo até um bloqueio temporário da manipulação desses medicamentos.
Os benefícios das canetas incluem controle da glicose, retardamento do esvaziamento gástrico e aumento da saciedade, promovendo perda de peso significativa. No entanto, efeitos colaterais como náuseas e vômitos podem ocorrer.
A Anvisa registrou efeitos colaterais mais severos, como pancreatite, e Dornelas alertou para o risco aumentado devido ao retardo do esvaziamento gástrico, que pode facilitar a formação de cálculos biliares.
