Um estudo divulgado nesta quinta-feira detalhou as causas da maior tragédia climática enfrentada pelo estado do Rio Grande do Sul em 2024. O evento atingiu 478 municípios com enchentes e enxurradas, afetando mais de 2,4 milhões de habitantes, resultando na morte de 185 pessoas e deixando outras 23 desaparecidas.
Após dois anos do desastre, pesquisadores mapearam eventos gatilho e identificaram as condições inseguras, causas raiz e pressões dinâmicas em um diagnóstico da cadeia de produção de risco. O documento também sugere caminhos para reduzir a exposição e vulnerabilidade nas cidades brasileiras.
O estudo, intitulado ‘Entendendo a Construção do Risco: causas raiz do desastre climático de 2024 no Rio Grande do Sul’, foi desenvolvido pelo World Resources Institute Brasil (WRI) com a participação de pesquisadores de universidades gaúchas. Henrique Evers, um dos autores, destacou a importância de entender as fragilidades que culminaram no desastre e discutir políticas para prevenir futuros desastres e promover um desenvolvimento resiliente.
De acordo com Lara Caccia, coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, o estudo dimensionou o desastre que teve como gatilho o extremo climático, mas foi resultado de um processo histórico de construção do risco a partir de fatores sociais, econômicos e de governança. Esses fatores amplificaram os impactos das chuvas intensas.
As causas raiz foram classificadas em quatro categorias: desenvolvimento urbano e rural, condições físicas e ambientais, condições socioeconômicas e governança. Essas categorias se relacionam com 20 pressões dinâmicas que geraram condições inseguras, amplificando o risco e a vulnerabilidade.
O relatório destaca que fatores comuns a outros cenários de desastres climáticos ressaltam o papel das decisões humanas e institucionais em gerar e disseminar socialmente o risco ao longo do tempo. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de articulação e integração multirregional além das capacidades municipais, com atuação de instâncias associadas às bacias hidrográficas.
A pesquisa conclui que para tornar as cidades mais resilientes é necessário ir além dos investimentos em infraestrutura, fortalecendo a governança em diferentes níveis de governo, integrando o planejamento, consolidando uma cultura de prevenção e priorizando grupos vulneráveis.
