Um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer é uma doença que pode ser prevenida. A informação faz parte do relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, divulgado nesta quarta-feira (3).
O estudo investigou como a população percebe e se relaciona com fatores de risco para o câncer, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e sedentarismo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026/2028, um aumento de 10,9% em relação ao período anterior, impulsionado pelo envelhecimento da população e hábitos de vida.
A pesquisa, realizada pelas organizações Umane e Vital Strategies com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca, entrevistou 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Enquanto alguns hábitos, como o fumo e a exposição solar sem proteção, são mais percebidos como perigosos, outros, como o sedentarismo, não são vistos como fatores de risco por menos da metade dos brasileiros.
A chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Luciana Grucci Moreira, observa uma melhora na percepção da população em comparação a estudos internacionais. O fumo é reconhecido como fator de risco por 90,5% dos adultos brasileiros, seguido por herança genética e exposição solar excessiva.
Outros fatores, como bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, têm menor reconhecimento. Para a especialista, políticas públicas e campanhas informativas são fundamentais para aumentar a percepção sobre esses riscos. O estudo também revela que a população desconhece o aleitamento materno como fator de proteção contra o câncer de mama.
Sobrepeso e obesidade são reconhecidos como fatores de risco por apenas 54,1% da população. A pesquisa também investigou hábitos alimentares, revelando que 45% dos entrevistados consomem ultraprocessados e tentaram reduzir o consumo. Entre os jovens, 32,3% consomem esses alimentos sem intenção de reduzir.
Em relação ao sedentarismo, 52,2% praticam atividade física, e 39% querem começar a se exercitar. A percepção sobre a importância da atividade física na prevenção do câncer é maior entre os mais ricos. Quanto ao peso corporal, 48,8% se declaram com peso saudável.
Luciana Moreira, do Inca, destaca que o estudo ajuda a planejar ações de prevenção e políticas públicas. Luciana Sardinha, da Vital Strategies, acredita que o relatório desperta o interesse da população pelos fatores de risco para o câncer.
