Prefeitura de João Pessoa alerta para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de rim

No Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, celebrado em 18 de junho, a Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), enfatiza a relevância da prevenção e do diagnóstico precoce da enfermidade por meio da Campanha Junho Verde. Esta iniciativa visa informar a população sobre os riscos associados ao câncer renal, além de orientar os cidadãos sobre os procedimentos adequados para o atendimento especializado e os exames disponíveis na Rede Municipal.

Embora o câncer renal não seja tão comum quanto outros tipos de câncer, ele representa uma preocupação significativa na saúde pública devido ao seu crescimento silencioso nas fases iniciais. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença corresponde a cerca de 3% dos cânceres malignos em adultos, sendo mais prevalente em homens com idades entre 50 e 70 anos.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver a doença, profissionais de saúde alertam que certos grupos devem estar especialmente vigilantes: fumantes, indivíduos com obesidade, hipertensão arterial, histórico familiar de câncer renal e pessoas com síndromes genéticas hereditárias relacionadas a tumores renais.

O médico nefrologista e diretor técnico do Centro Municipal de Nefrologia, Pablo Alves, ressalta que os dados estatísticos reforçam a importância de um diagnóstico rápido. “As estimativas globais indicam mais de 430 mil novos casos da doença no mundo, e no Brasil, a incidência é de aproximadamente 7 a 10 casos por 100 mil habitantes, evidenciando o impacto significativo desse diagnóstico no país”, explica.

Um dos principais desafios no combate a esse tipo de câncer é que, em suas fases iniciais, ele raramente apresenta sintomas visíveis, tornando essencial a avaliação médica regular. Os cidadãos que notarem qualquer sintoma suspeito ou que se enquadrem nos grupos de risco devem procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) mais próxima de sua residência.

Conforme a doença avança, o corpo pode começar a manifestar sinais de alerta. Os sintomas mais comuns incluem a presença de sangue na urina, dor persistente na região lateral das costas ou no abdômen, percepção de uma massa ou caroço palpável na região, além de febre sem causa aparente, perda de peso e apetite inexplicáveis, cansaço excessivo ou sinais de anemia.

Após a avaliação inicial pelo médico da USF e a realização de exames básicos, se houver necessidade de investigação mais aprofundada, o paciente será encaminhado, por meio do Sistema de Regulação Municipal, para a rede de especialidades. Além dos hábitos de vida, a exposição a determinados produtos químicos, como solventes e metais pesados, também é considerada um fator de risco. Contudo, os especialistas enfatizam que ter um desses fatores não implica necessariamente em desenvolver a doença.

A SMS esclarece que muitas manifestações e até mesmo achados em exames de rotina, como cistos renais simples, infecções urinárias ou cálculos renais, são comuns e, na maioria das vezes, benignos ou de fácil tratamento, não significando um diagnóstico de câncer.

O alerta tem como objetivo desmistificar medos, tranquilizar os pacientes e reforçar que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Adotar hábitos saudáveis, praticar atividades físicas regularmente, manter um peso adequado, controlar a pressão arterial e evitar o uso de analgésicos sem orientação médica são as melhores maneiras de proteger a saúde dos rins.

Nos casos em que há suspeita real após os exames, a Rede Pública Municipal assegura um fluxo seguro e direcionado para o tratamento adequado. “É crucial que as pessoas saibam que a maioria dos cistos renais encontrados é simples e de natureza benigna. Eles não são câncer e não requerem tratamento. O cuidado maior ocorre apenas quando o laudo indica um cisto complexo com características suspeitas. Nesses casos, o paciente será submetido a exames mais detalhados, como tomografia ou ressonância com contraste, para avaliar os riscos de neoplasia”, esclarece Pablo Alves.

Se a lesão apresentar riscos de tumor, o médico alerta sobre a importância do encaminhamento correto para o tratamento definitivo na rede pública. “Nesses casos, o direcionamento deve ser feito diretamente para o urologista, responsável pela avaliação e remoção cirúrgica dos tumores renais, em colaboração com o oncologista para o tratamento oncológico. O nefrologista atua no suporte clínico para avaliar e proteger a função do rim saudável que resta”, concluiu.

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