Projeto Noronha promove avanços no tratamento com canabidiol para crianças neurodivergentes

Na ilha de Fernando de Noronha, a professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, enfrentava desafios ao cuidar de seu filho neurodivergente. Como mãe solo de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suporte 2 e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ela lidava com crises de agitação e agressividade do filho.

Além de cuidar da criança atípica, Rayane dividia sua atenção com outro filho e o trabalho. A sobrecarga levou a professora a desenvolver ansiedade generalizada e problemas de sono. Em março, seu filho iniciou um tratamento com canabidiol, composto natural da cannabis, apresentando melhorias significativas no comportamento.

O tratamento foi viabilizado pelo Projeto Noronha, uma colaboração entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha. Em fevereiro e maio, o projeto realizou mutirões oferecendo consultas médicas e distribuindo óleos de canabidiol gratuitamente.

A iniciativa planeja construir uma sede para oferecer acompanhamento integral às famílias neuroatípicas. Alexandre Assis, diretor da Abecmed, destacou o compromisso contínuo do projeto em retornar à ilha e estruturar uma rede permanente de suporte.

O projeto também foca no apoio às mães, frequentemente as únicas cuidadoras dos filhos. Rebeca Allen, presidente da associação de mães do arquipélago, relatou melhorias em sua saúde mental após iniciar o tratamento com canabidiol, assim como no comportamento de seu filho.

A iniciativa responde a desafios estruturais e geográficos de Noronha, que possui apenas uma unidade médica pública. A distância para o continente dificulta o acesso a tratamentos complexos, agravando problemas psicológicos entre os moradores.

O relatório do segundo mutirão da Abecmed revelou que 70,6% dos pacientes buscaram atendimento para questões de saúde mental. A organização continua estudando o impacto social e econômico das intervenções.

O uso medicinal da cannabis tem ganhado atenção por seu potencial em tratamentos neurológicos e psicológicos. O canabidiol ajuda a controlar agressividade e insônia em pessoas com TEA, sem os efeitos sedativos de outros medicamentos, permitindo que os pacientes participem ativamente de terapias multidisciplinares.

Fonte: Agência Brasil

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