A Justiça do Rio determinou a prisão preventiva de um casal acusado de roubar e comercializar ilegalmente medicamentos de alto custo, especialmente oncológicos.
O estudante de direito Guilherme Silva Lopes de Sena e a enfermeira Fernanda Rodrigues de França foram presos em flagrante na terça-feira (21) e tiveram a prisão convertida em preventiva na última quinta (20), durante audiência de custódia.
Entre os remédios que eles são suspeitos de vender ilegalmente estão substâncias indicadas para leucemias e linfomas, por valores que chegavam a R$ 34.920 a caixa.
Segundo as investigações, os produtos apreendidos não possuíam eficácia terapêutica real e continham lotes inexistentes nos registros oficiais dos fabricantes, colocando em risco o direto a vida dos pacientes.
De acordo com os autos, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, foi encontrada uma grande quantidade de medicamentos, entre eles insulina, quimioterápicos, anestésicos de uso controlado, morfina, antibióticos e outros produtos hospitalares de alto valor comercial. Os custodiados não apresentaram documentação fiscal nem autorização legal para manter o material armazenado.
Na audiência de custódia, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apontou a existência de indícios da prática do crime que pune quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito ou distribui produto farmacêutico ou medicinal sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, a promotoria requereu a inclusão do delito de organização criminosa, diante dos elementos que apontam para a atuação integrada dos investigados com grupo voltado ao roubo e ao escoamento de cargas de medicamentos.
O caso do casal preso no Rio expõe apenas a face mais recente de um esquema que, segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, realizou mais de 50 assaltos a cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores em três anos e meio, gerando prejuízos superiores a R$ 30 milhões e pressionando o abastecimento de hospitais públicos e privados. Investigações recentes apontam, inclusive, vínculos dessas operações com facções criminosas que passaram a enxergar o mercado clandestino de fármacos de alto custo como “novo negócio”, com margens de lucro comparáveis às do tráfico de drogas, dado o valor unitário de caixas que superam R$ 30 mil.
Além do risco direto à vida dos pacientes que recebem medicamentos sem registro ou eficácia comprovada, o impacto socioeconômico é significativo para o SUS e para planos de saúde, que precisam repor estoques estratégicos em regime de urgência, muitas vezes pagando mais caro e alterando cronogramas de tratamento. Especialistas em logística farmacêutica alertam que a fragilidade na rastreabilidade de cargas e na integração de dados entre fabricantes, distribuidores e serviços de saúde cria brechas exploradas por quadrilhas, elevando custos sistêmicos e ameaçando a continuidade de terapias oncológicas em redes já pressionadas por alta demanda e orçamento limitado.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
