Guterres pede ajuda internacional para Síria devastada pela guerra


O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres​, chegou à Síria neste sábado (25) para uma visita histórica, a primeira de um chefe da ONU desde 2009, antes do início da guerra civil no país, em 2011.

O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al-Shaibani, recebeu Guterres e a sua comitiva no aeroporto internacional de Damasco, segundo informações da agência de notícias estatal Sana.

Espera-se que Guterres expresse o seu apoio ao processo de transição na Síria durante uma visita que deverá durar três dias e acontece mais de um ano depois de as novas autoridades do país, lideradas por Ahmed al-Charaa, terem deposto o ex-presidente Bashar al-Assad.

Guterres tornou-se, assim, o primeiro chefe da ONU a visitar a Síria desde Ban Ki-moon, em 2009.

Desde que Al-Charaa assumiu o poder, a comunidade internacional tem cobrado as novas autoridades a construírem instituições fortes e eficazes e a estabelecerem um sistema de governação que inclua todos os segmentos da sociedade síria, com particular ênfase na representação das minorias.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, informou que o objetivo não é apenas a recuperação de mais de 13 anos de guerra, mas também “lançar as bases para um futuro mais estável e inclusivo para todos os sírios”.

Neste sentido, destacou que Guterres reafirmará, durante a sua viagem, “o papel das Nações Unidas”, que é “acompanhar e auxiliar o povo sírio” na conquista dos seus objetivos.

A visita de Guterres ocorre numa fase em que a transição síria convive com um quadro humanitário ainda extremo: quase dois terços da população dependem de assistência internacional e mais de metade dos habitantes foi deslocada desde 2011, num conflito que já causou mais de 400 mil mortes. Ao mesmo tempo, o país enfrenta uma devastação econômica estimada em centenas de bilhões de dólares em necessidades de reconstrução, o que torna qualquer projeto de estabilidade política inseparável de um plano robusto de recuperação socioeconômica e de reintegração da Síria nas cadeias regionais de comércio e energia.

Nos bastidores desta visita, a ONU prepara uma missão política permanente em Damasco e direciona novos recursos emergenciais, como os aportes do Fundo Central de Resposta a Emergências, para sustentar operações humanitárias ampliadas. Em paralelo, o desenho institucional em curso — com a nomeação de uma Suprema Corte Constitucional e um Parlamento provisório mais diverso, onde mulheres já superam 10% dos assentos — sinaliza que o debate sobre a nova Constituição e futuras eleições poderá funcionar também como laboratório de inclusão de minorias e de accountability, ponto-chave para evitar que a transição repita ciclos de autoritarismo que marcaram a história recente do país.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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