As agências bancárias e instituições financeiras credenciadas começam a ofertar nesta segunda-feira (27), as linhas de financiamento de moto, motoneta, ciclomotor ou bicicleta elétrica produzidos no país, com condições facilitadas pelo programa Move Brasil.
A política pública permite que entregadores ciclistas, motoapps, mototaxistas e motofretistas profissionais acessem financiamento para trocar seus veículos por modelos novos e mais sustentáveis.
Para fazer o pedido de financiamento é necessário já estar cadastrado no programa, por meio da conta gov.br. Também é necessário já ter recebido a confirmação de que é elegível ao Move Brasil, emitida em até 5 dias úteis.
Após essas etapas, o trabalhador já pode ir à Caixa, Banco do Brasil ou outra instituição financeira credenciada para análise de crédito e contratação do financiamento. É necessário que o veículo escolhido para financiar seja produzido no Brasil, a partir de 2024.
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De acordo com as regras do programa, o recurso é liberado diretamente ao fornecedor do bem. A aprovação do financiamento é sujeita à análise de credito do banco ou instituição financeira, que define os documentos necessários para o pedido de financiamento.
Após a contratação, o trabalhador só começará a pagar as parcelas em 60 dias e o prazo para pagar o valor adquirido é até 4 anos, com juros de 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres.
Embora o Move Brasil ofereça uma taxa de juros menor para mulheres (0,91% ao mês, contra 0,99% para homens), esse desenho vai na contramão da realidade do sistema financeiro brasileiro, em que o crédito costuma ser mais caro para elas. Estudos recentes mostram que empresárias de pequenos negócios pagam, em média, 40,6% ao ano em financiamentos, frente a 36,8% para homens, e que mulheres negras de baixa renda chegam a enfrentar custos anuais próximos de 140% em empréstimos, os mais altos de todo o sistema. Ao baratear o financiamento especificamente para trabalhadoras, o programa se insere em um esforço de correção de assimetrias de gênero e raça no acesso ao crédito, com potencial para ampliar renda e formalização em segmentos onde a presença feminina vem crescendo, como entregas por aplicativo.
Do ponto de vista macroeconômico, a oferta de crédito com juros abaixo dos praticados em modalidades tradicionais de financiamento de veículos pode funcionar como política anticíclica em um cenário de juros básicos ainda elevados. Ao facilitar a renovação da frota de motos e bicicletas elétricas, o programa tende a impactar diretamente cadeias produtivas locais, estimulando a indústria de duas rodas e gerando empregos na fabricação e manutenção desses veículos. Além disso, a substituição de modelos antigos por novos e mais eficientes contribui para reduzir custos operacionais de milhares de trabalhadores de entrega, ampliando sua margem de ganho e, em médio prazo, diminuindo a probabilidade de inadimplência – um ponto crítico num país em que mulheres, jovens e pessoas de baixa renda concentram boa parte
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
