O estado do Rio Grande do Sul foi fortemente atingido pelas chuvas no final de semana e segue contabilizando os danos. Até o momento, 59.967 pessoas e 218 municípios foram afetados, segundo o Centro de Operações da Defesa Civil do Estado (Codec).
Das mais de 59 mil pessoas afetadas, 488 estão desabrigadas e 762 desalojadas. Os eventos meteorológicos causaram alagamentos, inundações, destelhamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos à infraestrutura pública.
Os dados do Painel de Monitoramento de Abrigos e Abrigados do governo do estado indicam que 91,60% da população desabrigada pertence à região do Vale do Taquari, que abrange 40 municípios no Rio Grande do Sul.
Por município, a cidade de Lajeado foi a mais afetada pelo cenário de calamidade. O número de desabrigados totaliza 321 pessoas, 65,78% do total. Em seguida, aparece Encantado, com 100 desabrigados (20,49%), e Estrela, com 26 pessoas (5,33%).
Em razão do cenário de instabilidade do tempo, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil opera na região até 31 de julho, para apoiar as medidas de resposta, assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação.
No mês de julho, a Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência em 17 municípios do estado. A lista completa pode ser acessada aqui.
Com o reconhecimento da situação de emergência, os municípios podem pleitear verbas à União destinadas a intervenções de defesa civil. Esses recursos podem custear o atendimento aos cidadãos atingidos, através do fornecimento de água mineral, cestas básicas, refeições para voluntários e equipes de trabalho, e kits de limpeza e higiene.
Alerta para próximos dias
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alerta vermelho de inundação para o Rio dos Sinos, Rio Uruguai, e Rio Jacuí. As cidades São Leopoldo, Itaqui, Uruguaiana e Cachoeira do Sul correm alto risco. Os alertas são válidos até terça-feira (28), às 9h.
Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo para tempestades em todo o estado. As chuvas podem alcançar 20 a 30 milímetros por hora ou até 50 mm/dia, ventos intensos, entre 40 e 60 km/h, e queda de granizo.
Os moradores devem evitar áreas inundáveis, buscar abrigo ou permanecer em locais de segurança e garantir a segurança de animais domésticos. A Defesa Civil também aconselha não retornar para áreas evacuadas, manter-se informado sobre a evolução do evento e compartilhar informações com moradores próximos.
Os novos episódios de chuva intensa no Rio Grande do Sul ocorrem em um estado que ainda não se recuperou totalmente das enchentes históricas de 2024, quando mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas e as perdas econômicas foram estimadas em dezenas de bilhões de reais, com forte impacto em cadeias produtivas como agroindústria, logística e comércio. A recorrência de eventos extremos no Vale do Taquari e na bacia do Jacuí evidencia um padrão de risco climático estrutural, que já vem sendo apontado por estudos de atribuição climática como resultado da combinação entre aquecimento global, uso inadequado do solo e ocupação de áreas de várzea.
Do ponto de vista socioeconômico, a concentração de desabrigados em municípios médios como Lajeado, Encantado e Estrela agrava a vulnerabilidade regional, pois essas cidades funcionam como polos de serviços, saúde e educação para dezenas de municípios vizinhos, pressionando redes de assistência social e orçamentos locais já fragilizados. Além dos danos imediatos à infraestrutura, a sucessão de decretos de emergência tende a elevar o risco de perda de investimentos privados e de redução de arrecadação municipal, criando um ciclo de dependência de repasses federais que, sem um plano robusto de adaptação climática e reassentamento seguro, apenas prolonga a exposição da população aos mesmos pontos de risco.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
