O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (28) a Polícia Federal (PF) a iniciar o rastreamento de bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que estão exterior.
A medida foi tomada no âmbito das investigações sobre as fraudes no Banco Master e também vai alcançar outros investigados.
Com a decisão do ministro, o governo brasileiro vai acionar mecanismos de cooperação internacional para tentar obter informações sobre os bens e recursos ilegais que podem ter sido transferidos para o exterior.
Vorcaro está preso preventivamente no 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
O ex-banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Até o momento, a PF já rejeitou duas propostas de delação sugeridas pela defesa de Vorcaro. Os investigadores concluíram que ele não apresentou novidades em relação ao material que já foi apreendido e não assumiu que cometeu crimes.
O rastreamento de bens no exterior tende a ganhar peso justamente porque a investigação já trabalha com um volume expressivo de prova digital: a PF analisa nove celulares ligados a Daniel Vorcaro, com mais de 8 mil vídeos identificados em parte do material e cerca de 400 GB de conteúdo no primeiro aparelho periciado. Esse tipo de acervo amplia a chance de localizar transferências, interlocutores e estruturas de ocultação patrimonial que normalmente não aparecem em documentos bancários tradicionais.
Há também um componente patrimonial relevante: em fases anteriores, a Justiça já determinou bloqueios e sequestros que somam valores bilionários, com menções a R$ 5,7 bilhões em bens e valores e a um bloqueio de R$ 22 bilhões, o que indica a dimensão econômica do caso e a prioridade dada à recuperação de ativos. Nesse contexto, a atuação internacional por meio de cooperação jurídica e da Interpol deixa de ser acessória e passa a ser central para tentar preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos e aos credores afet
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
