Duas pessoas morreram com o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital fluminense, depois da ventania que atingiu o estado do Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (29). A informação é do Corpo de Bombeiros (CBMERJ), que registrou 185 ocorrências até o momento.
Foram 93 quedas de árvores, 31 salvamentos de pessoas e 5 desabamentos. Um pescador está desaparecido em Tarituba, Angra dos Reis, na Costa Verde. A Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros dizem atuar de forma integrada e que um gabinete de crise foi instalado na Sala de Situação do Comitê de Enfrentamento ao El Niño.
O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN-RJ) emitiu alerta sobre os efeitos da aproximação de uma frente fria pelo oceano, com impacto nas regiões Costa Verde, Sul II, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixada Litorânea e Norte Fluminense. A vigência é até às 7h de quinta-feira (30).
Apagão
Diversos bairros da capital ficaram sem luz durante a tarde. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que, por causa dos ventos fortes, ocorreram desligamentos na rede de distribuição e transmissão a partir das 15h57. Houve impacto no Sistema Interligado Nacional (SIN) que atende a área Rio. Às 16h38 houve o desligamento da Subestação Grajaú.
Segundo o ONS, todas as cargas foram 100% normalizadas às 17h35. Desde o início da ocorrência, foi verificada uma redução de carga de cerca de 1500 MW.
A concessionária de energia Light confirmou que uma ocorrência externa ao sistema afetou o fornecimento de energia em toda a Zona Sul e o Centro, além dos bairros da Tijuca, Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba.
Transportes
O Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações entre 16h52 até 18h56. Segundo a Infraero, foi feita uma vistoria na pista para limpeza de detritos antes da liberação para pousos e decolagens.
Até o momento, nove voos alternaram para outros aeroportos e outros sete voos tiveram as decolagens canceladas.
Já no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), quatro voos que iriam pousar foram encaminhados para outros aeroportos.
Segundo a TrensRJ, que administra o sistema ferroviário da cidade, as operações continuam suspensas para realização de vistorias. O objetivo é garantir o retorno seguro da circulação dos trens.
A concessionária Metrô Rio disse que o funcionamento das três linhas na cidade foi interrompido às 16h40. Passageiros relataram nas redes sociais que ficaram presos dentro das composições. Horas depois, a empresa divulgou que a circulação das linhas 1, 2 e 4 estava em processo de normalização.
Previsão do tempo
Os impactos da ventania levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro a decretar Estágio 2 em uma escala de níveis de atenção que vai de 1 a 5, o que significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade.
Há previsão de chuva fraca em pontos isolados para as próximas horas, além de ventos moderados a muito fortes.
Para quinta-feira (30), o Alerta Rio, sistema meteorológico da Prefeitura, prevê que os ventos estarão moderados e as temperaturas em queda. Céu deverá ficar parcialmente nublado e é esperada chuva fraca, isolada, a partir da tarde.
O episódio se insere em uma tendência de aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos no Sudeste, já associada por meteorologistas à combinação de frente fria intensa com El Niño e ondas de calor prévias, que potencializam rajadas acima de 90 km/h em áreas urbanas densas. Em 2024 e 2025, boletins da Defesa Civil estadual já haviam registrado crescimento de mais de 30% nas ocorrências ligadas a vendavais e tempestades no Rio de Janeiro, evidenciando que muros, redes elétricas e estruturas de transporte não foram adaptados ao novo patamar de risco climático.
O apagão e a paralisação simultânea de metrô, trens e aeroportos expõem também um impacto econômico subestimado: estudos do setor elétrico estimam que interrupções de grande porte em metrópoles brasileiras podem gerar perdas diárias na casa de dezenas de milhões de reais em produtividade, logística e comércio, além de custos adicionais com reparos emergenciais. Em uma cidade onde mais de 70% dos deslocamentos dependem de sistemas de transporte coletivo ou motorizado, a falta de energia durante o pico da tarde amplia desigualdades, afetando sobretudo trabalhadores de baixa renda, moradores de áreas periféricas e pequenos negócios que não dispõem de mecanismos de contingência.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
