FAB intercepta aeronave suspeita vinda da Bolívia


A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou, nesta sexta-feira (31), um avião suspeito vindo da Bolívia. Após uma série de tentativas de comunicação com a aeronave de pequeno porte, os caças da FAB dispararam contra ela, com o objetivo de danificar o equipamento e forçar a aterrissagem.

“Devido à falta de colaboração da aeronave interceptada, que descumpriu recorrentemente as ordens da Defesa Aeroespacial, foi realizada a medida de Tiro de Detenção (TDE) — última etapa das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo, destinada a impedir a continuidade do voo”, informou a corporação.

Foram usados dois caças A-29 Super Tucano na aproximação. A aeronave não tinha plano de voo, não havia feito contato com os órgãos de controle de tráfego e não tinha matrícula identificada. Foram essas características que a classificaram como suspeita.

O avião realizou um pouso forçado a cerca de 200 km ao norte de Campo Grande (MS). Quando a polícia chegou ao local, de helicóptero, o avião já estava abandonado


FAB intercepta aeronave suspeita oriunda da Bolívia. Foto: FAB – FAB

A operação da FAB se insere em uma estratégia mais ampla de contenção dos crimes transfronteiriços, como a Operação Ostium, que desde 2017 intensificou o uso de radares móveis e caças A-29 Super Tucano para fechar rotas clandestinas entre Bolívia, Paraguai e Brasil. A Bolívia figura entre os três maiores produtores de cocaína do mundo, e a fronteira boliviana com o Brasil – com cerca de 3.400 km de extensão, cortando Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – é considerada pela inteligência policial uma das principais portas de entrada de drogas que abastecem organizações criminosas nos grandes centros urbanos.

Esse tipo de interceptação tem efeito direto na dinâmica da violência interna: dados da Polícia Federal e de secretarias estaduais apontam que mais de 60% da cocaína apreendida no Brasil passa por rotas ligadas à faixa de fronteira com a Bolívia, contribuindo para financiar facções envolvidas em homicídios, roubos e corrupção policial. Ao adotar medidas extremas como o Tiro de Detenção, o país sinaliza um endurecimento do controle aéreo em regiões historicamente marcadas por baixa presença estatal, onde o narcotráfico movimenta milhões de dólares por ano e exerce forte influência econômica sobre comunidades locais, muitas vezes em situação de vulnerabilidade social.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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