A Defesa Civil do Rio Grande do Sul atualizou para 2.686 o número de pessoas desalojadas no estado em decorrência de uma linha de instabilidade associada à uma frente fria, que causou fortes tempestades na região, com estragos registrados em 117 municípios, incluindo destelhamentos, quedas de árvores e de postes de energia.
Em novo balanço divulgado na manhã deste domingo (9), a Defesa Civil informou que os danos foram causados por fortes chuvas e ventos formados pela frente fria, e não por causa do ciclone bomba – um outro fenômeno meteorológico que se formou entre a Argentina e o Uruguai, mas que se deslocou pelo oceano, trazendo ventos à costa gaúcha, sem maiores impactos sobre o continente.
Até o momento, foram reportados um óbito e cinco feridos desde a última sexta-feira (7), quando as tempestades castigaram mais o estado. A vítima foi um homem que se acidentou na rodovia estadual RS-124, no município de Montenegro, enquanto trafegava de moto. Não há informações complementares sobre identificação da vítima.
Dos cinco feridos, um é do município de Novo Hamburgo. Ele se enroscou em fios enquanto estava em trânsito, durante o vendaval. Segundo informações da Defesa Civil, o estado de saúde dele exige mais atenção.
Um militar também foi atingido por um estilhaço enquanto estava dentro da viatura em atendimento, no município de Osório. E, em Dom Feliciano, outras três pessoas teriam sofrido ferimentos leves.
Entre as localidades mais atingidas, está o município de Minas do Leão, com 500 desalojados, ou seja, pessoas que tiveram que sair de suas casas para a casa de amigos ou parentes. Apenas uma pessoa, em Montenegro, ficou desabrigada e necessitou de acolhimento pelo poder público.
Em Novo Hamburgo, são 480 desalojados, seguido de Sapiranga, com 360.
O impacto imediato das chuvas também deve ser lido pela lente da vulnerabilidade habitacional: em Novo Hamburgo, a Câmara aprovou aluguel social extraordinário para famílias com renda per capita entre R$ 218 e R$ 706 cujas moradias foram consideradas indisponíveis pela Defesa Civil, com benefício previsto por seis meses. Esse tipo de medida mostra que, além da resposta emergencial, o poder público precisa lidar com um efeito prolongado das tempestades: a permanência de famílias fora de casa por semanas ou meses, pressionando assistência social, orçamento municipal e rede de acolhimento.
O problema se agrava porque o Vale do Sinos já vinha acumulando episódios recorrentes de alagamento e remoções em massa: em maio de 2024, Novo Hamburgo chegou a registrar 12 mil desalojados e mais de 32 mil pessoas impactadas por cheias associadas ao Rio dos Sinos. Esse histórico recente indica que eventos extremos deixaram de ser exceção e passaram a afetar diretamente mobilidade, serviços urbanos e a capacidade de recuperação econômica de bairros inteiros.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
