Ações dos EUA na Venezuela representam riscos à ordem multilateral

Na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026, Venezuela acordou sob o som de explosões quando forças militares dos Estados Unidos realizaram uma operação em larga escala contra o território venezuelano, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores[1][2].

Os bombardeios atingiram pontos estratégicos em Caracas e regiões próximas, com pelo menos sete explosões fortes registradas por volta das 2 da madrugada[1]. O presidente Donald Trump confirmou dos EUA que as forças norte-americanas haviam conduzido o ataque e capturado Maduro e sua esposa, levando-os para fora do país[1]. Maduro foi posteriormente transportado para Nova York, onde enfrenta acusações relacionadas a supostas ligações ao tráfico internacional de drogas, de acordo com justificativas do governo estadunidense[2].

O governo venezuelano reagiu imediatamente, qualificando o ataque como uma agressão militar gravíssima e decretando estado de emergência[1]. Cuba também condenou a operação, com o presidente Miguel Díaz-Canel a descrevê-la como um “ato de terrorismo” e uma “afronta às normas internacionais”[2]. Cuba informou que 32 de seus militares, que cumpriam missões em Caracas a solicitação de órganos homólogos venezuelanos, morreram em ações combativas durante o ataque[2].

Especialistas em relações internacionais apontam graves implicações legais da operação. Bruno Lima Rocha, cientista político e professor de relações internacionais, argumenta que o ocorrido constitui um ataque direto à soberania venezuelana[4]. Segundo o professor, não existe amparo no direito internacional para que os Estados Unidos operem como polícia do mundo, e nem mesmo organizações multilaterais como a ONU delegaram aos EUA autoridade para sequestrar, capturar ou intervir em países soberanos[4]. Rocha classifica a ação como um “sequestro” e a qualifica como “uma agressão imperialista pura e simples”, alertando também para possíveis ameaças às reservas petrolíferas da Venezuela, as maiores do mundo[4].

A operação provocou grande conmoção e mobilização em Venezuela e gerou reações divididas no cenário internacional, com alguns governos condenando o ataque enquanto outros o celebram, enquanto milhões de pessoas analisam as consequências que esse evento trará para a América Latina[1].

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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