A decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios foi considerada “positiva” pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Ele destacou que a retirada da tarifa global de 10%, conhecida como “taxa de reciprocidade”, representa um avanço diplomático após conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além de reuniões bilaterais entre ministros. No entanto, Alckmin ressaltou que a manutenção da sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente aos produtos brasileiros, ainda gera distorções e constitui um obstáculo relevante para as exportações do país.
Enquanto a maioria dos países latino-americanos teve redução das tarifas para 10%, o Brasil permaneceu com uma alíquota adicional de 40%, resultando numa tarifa total de 40% sobre diversos produtos, como café, carne bovina, frutas e castanhas, ainda considerada alta. O setor de suco de laranja foi o único a zerar a tarifa de 10%, o que deve significar um acréscimo de US$ 1,2 bilhão nas exportações brasileiras dessa commodity. Em contraste, o café brasileiro teve redução de tarifa de 50% para 40%, mas enfrenta forte concorrência, especialmente do Vietnã, que obteve reduções de até 20% nas tarifas, prejudicando a competitividade do produto brasileiro. Alckmin avaliou que ainda há trabalho a ser feito para melhorar a competitividade do Brasil no mercado norte-americano.
A retirada da tarifa global ampliou o volume de produtos brasileiros isentos de sobretaxas nos Estados Unidos de 23% para 26%, o que equivale a cerca de US$ 10 bilhões em exportações, numa tentativa de reverter os prejuízos causados pelo “tarifaço” que elevou o déficit brasileiro na balança comercial com os EUA em 341% entre agosto e outubro. A medida também acompanha reduções parciais para outros setores, como ferro-níquel e celulose, que tiveram as sobretaxas retiradas, e para madeira macia, móveis e armários, cujas tarifas foram reduzidas, em decisões baseadas na Seção 232 da Lei de Comércio norte-americana.
Do lado dos EUA, o governo justificou a redução tarifária como parte dos esforços para conter a inflação de alimentos e garantir o equilíbrio da oferta interna. Trump caracterizou o ajuste como “um pequeno recuo”, sem previsão de novas reduções no curto prazo, e manifestou expectativa de que os preços de produtos como o café diminuam no mercado americano. Apesar disso, os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial bilateral, exportando mais para o Brasil do que importam, segundo Alckmin, que afirmou que o Brasil “não é problema, é solução” nas relações comerciais entre os dois países.
