# Produção de Veículos no Brasil Deve Crescer 3,7% em 2026
A indústria de veículos no Brasil espera crescimento de 3,7% na produção em 2026, totalizando 2,74 milhões de unidades. Essa projeção foi divulgada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), em cenário classificado pela entidade como de “otimismo contido”.
O crescimento será concentrado nos veículos leves, como automóveis e comerciais leves, com alta de 3,8%, alcançando 2,59 milhões de unidades. A fabricação de caminhões e ônibus deve avançar 1,4%, somando 154 mil unidades, ainda impactada pelo custo elevado do crédito.
As vendas devem registrar crescimento de 2,7% nos emplacamentos, totalizando cerca de 2,76 milhões de veículos. As exportações devem crescer 1,3%, num total de 536 mil unidades.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressaltou que o ano ainda está repleto de incertezas. “O ano ainda está em aberto para muitos aspectos. Como quando a taxa de juros começar a cair, se é que vai cair de fato, então ainda traz algumas instabilidades”, afirmou. Ele enfatizou que a associação revisará as projeções trimestralmente conforme os fatos se desenrolarem.
O cenário é marcado pelo patamar elevado da taxa Selic e pela persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025.
O desempenho em 2025 ficou aquém das expectativas iniciais. A produção cresceu 3,5% em relação a 2024, totalizando 2,64 milhões de veículos, enquanto as vendas avançaram 2,1%, para 2,69 milhões de unidades. Esses números marcam o terceiro ano consecutivo de crescimento, mantendo o Brasil como a oitava maior potência produtora mundial de veículos e a sexta maior em volume de vendas. No entanto, o volume de vendas ainda ficou cerca de 100 mil unidades abaixo do patamar registrado em 2019, antes da pandemia.
Calvet explicou que as projeções feitas em 2024 previram crescimento de 7,8% para produção e 5% para licenciamento em 2025. “Nós tivemos um ano em que o mercado cresceu 2% e a produção cresceu 3%. Foi um ano de muita instabilidade”, detalhou. Ele apontou que a taxa de juros aumentou de 12% para 15% entre as duas projeções, afetando significativamente o mercado automotivo, que é sensível a essas flutuações.
No segmento de vendas, houve dinâmica diferenciada entre os tipos de veículos. Os modelos a combustão registraram queda de 2,2%, enquanto os veículos eletrificados apresentaram alta de 60%.
As importações cresceram 6,6% em 2025, impulsionadas principalmente pela entrada de veículos oriundos da China, que respondeu por 37,6% dos 498 mil importados emplacados no Brasil. Para 2026, a Anfavea espera redução do fluxo de entrada de modelos eletrificados importados, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, além do fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho.
O acordo do Mercosul com a União Europeia, embora não tenha efeito em 2026, abre perspectivas de exportação para a UE, como sistemas de motores e transmissões. O governo federal anunciou medidas de apoio, como o programa Move Brasil, que oferece crédito com condições favoráveis para a compra de caminhões, classificada pela Anfavea como uma medida “desfibrilatória” para a economia.
Calvet destacou que o setor enfrentará transição para um novo modelo tributário, apresentando desafios relacionados a questões logísticas, infraestrutura e segurança jurídica no país. A indústria automotiva mantém perspectivas de resiliência, sustentada pela expansão da renda, desemprego em patamar muito baixo e expectativa de redução gradual da taxa de juros.
