**Seleção do Senegal conquista bicampeonato da Copa Africana de Nações ao vencer Marrocos por 1 a 0 na final disputada neste domingo, em Rabat, capital marroquina.**
O jogo entrou para a história como um dos mais caóticos do futebol africano, marcado por pênalti polêmico, abandono temporário de campo pelos senegaleses e cobrança frustrada que levou a partida à prorrogação.
O confronto estava empatado em 0 a 0 nos minutos finais do tempo regulamentar quando o árbitro, após consultar o VAR, assinalou pênalti para os donos da casa. A marcação veio após puxão de Malick Diouf, defensor senegalês, em Brahim Díaz, espanhol de origem marroquina que atua no Real Madrid, dentro da área. A decisão gerou revolta imediata na equipe de Senegal, que já havia tido um gol anulado momentos antes por falta de Abdoulaye Seck em Achraf Hakimi.
Inconformados, os jogadores senegaleses, orientados pelo técnico Pape Thiaw, deixaram o gramado em protesto, com alguns rumando ao vestiário. A interrupção durou mais de dez minutos, paralisando o Estádio Príncipe Moulay Abdellah e criando cenas de tensão inéditas em final continental. O atacante Sadio Mané assumiu a liderança, convencendo os companheiros a retornarem ao campo para evitar desistência que poderia custar o título.
De volta à ação, Brahim Díaz assumiu a cobrança e optou por cavadinha, mandando a bola no meio do gol para defesa tranquila do goleiro Édouard Mendy. A falha silenciou a torcida marroquina e irritou o técnico Walid Regragui, que cobrou o jogador publicamente. Com o placar inalterado, a partida seguiu para prorrogação, onde Pape Gueye definiu o jogo aos três ou quatro minutos, com chute preciso de dentro da área.
O gol solitário garantiu o segundo troféu africano ao Senegal, que já havia sido campeão em 2022 ao bater o Egito nos pênaltis. Apesar da glória, a celebração veio sob críticas. Gianni Infantino, presidente da Fifa, parabenizou os campeões em postagem no Instagram, mas condenou o comportamento dos senegaleses e da comissão técnica. “Infelizmente, testemunhamos cenas inaceitáveis no campo e condenamos fortemente o comportamento de alguns ‘torcedores’, bem como de alguns jogadores senegaleses e também de sua comissão técnica. É inaceitável deixar o campo de jogo. A violência também não pode ser tolerada em nosso esporte. Isso, simplesmente, não é correto”, escreveu o dirigente.
Jogadores e membros da equipe senegalesa enfrentam risco de punições severas da Fifa, incluindo multas e suspensões que os deixariam fora da Copa do Mundo deste ano, conforme apurado por veículos como o jornal espanhol As. Para o Marrocos, anfitrião frustrado, resta lidar com decepção de final surreal, marcada por chances perdidas na prorrogação e pênalti que ficará na memória como símbolo de revés amargo.
