Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira que está disposto a voltar a pegar em armas para defender o país, caso seja necessário, em resposta direta às ameaças de intervenção militar feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Petro, ex-integrante do grupo guerrilheiro M-19 nos anos 1980, publicou a declaração na rede social X, recordando o juramento que fez de não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989. “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, escreveu o mandatario, que abandonou as armas após a desmobilização do movimento e ingressou na política institucional, chegando à Presidência em 2022 como o primeiro líder de esquerda do país.

As palavras de Petro surgem um dia após Trump, a bordo do Air Force One, ameaçar uma operação militar contra a Colômbia, descrevendo o país como “muito doente” e governado por “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”. O republicano, que assumiu o mandato em 2025, não apresentou provas para as acusações e alertou que Petro “não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. A retórica de Trump ganhou força após a operação militar dos EUA na Venezuela no sábado, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, levados para julgamento em Nova York.

Em sua réplica, Petro reforçou a lealdade das Forças Armadas colombianas à soberania nacional. Ele emitiu uma ordem direta aos soldados: “Todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”. O presidente esclareceu que a tropa deve atirar contra qualquer invasor, mas nunca contra o povo colombiano.

Petro também defendeu seu governo e sua trajetória pessoal, listando ações contra o narcotráfico, como a retomada de territórios como El Plateado, Cauca, e a chamada “Wall Street da cocaína”, com bombardeios que respeitaram o direito humanitário e resultaram na morte ou captura de comandantes de grupos armados ligados ao tráfico. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”, afirmou, destacando que foi eleito democraticamente. Ele expressou confiança no povo e pediu que os colombianos defendam o presidente de qualquer ato violento ilegítimo.

A troca de farpas entre os dois líderes intensifica as tensões na América Latina, em um contexto de crescente mobilização militar na Colômbia, com relatos de alerta máximo nas Forças Armadas após os eventos na Venezuela vizinha. A declaração de Petro gerou repercussão imediata na região, reacendendo debates sobre soberania e intervenções estrangeiras.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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