Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente, diz New York Times

O prestigiado jornal New York Times publicou neste sábado um editorial contundente criticando as ações do governo de Donald Trump contra a Venezuela, qualificando o ataque como ilegal e imprudente. O texto, assinado pelo Conselho Editorial, destaca que o país sul-americano se tornou o primeiro alvo de um imperialismo moderno promovido pela Casa Branca, representando uma abordagem perigosa para o papel dos Estados Unidos no mundo.

O jornal relata que Trump escalou sua campanha militar no Caribe, inicialmente com ataques a pequenas embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico, para capturar o presidente Nicolás Maduro em um que chamou de “ataque a gran escala”. Apesar de reconhecer Maduro como antidemocrático, repressivo e responsável por desestabilizar a região com eleições roubadas em 2024 e o êxodo de quase oito milhões de migrantes, o NYT rejeita a ideia de que intervenções externas melhorem a situação. “Se há uma lição fundamental da política externa americana no último século, é que tentar derrubar até mesmo o regime mais deplorável pode piorar as coisas”, afirma o texto, citando fracassos como os 20 anos no Afeganistão, a fragmentação da Líbia após a queda de Muamar Kadafi e as consequências duradouras da invasão do Iraque em 2003.

Em coletiva de imprensa de Mar-a-Lago, Trump anunciou que os Estados Unidos vão “administrar a Venezuela até uma transição segura”, com petroleiras americanas explorando as reservas de petróleo, as maiores comprovadas do planeta. Ele negou necessidade de tropas em solo venezuelano se a vice-presidente Delcy Rodríguez, agora no comando interino, “fazer o que queremos”, e afirmou estar preparado para uma segunda onda de ataques, embora “não seja necessário”. Trump justificou a ação alegando que Maduro liderava um cartel de drogas, mas o NYT rebateu como ridícula a acusação, já que a Venezuela não é produtora significativa de fentanil ou outras drogas. Pior, apontou hipocrisia: no mesmo dia, Trump concedeu indulto a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras condenado por narcotráfico, apoiando seu partido nas eleições locais.

O editorial argumenta que os ataques violam o direito internacional, matando pessoas baseadas apenas em suspeitas sem chance de defesa, contrariando os Convenções de Genebra e tratados de direitos humanos. Especialistas jurídicos e militares rejeitam a alegação de ameaça imediata às embarcações venezuelanas. Sem aval do Congresso, as ações também infringem a lei americana, apesar de Trump alegar que se tratou “apenas” da prisão de duas pessoas, não uma invasão tradicional. Republicanos como senadores Rand Paul e Lisa Murkowski já apoiam legislação para limitar ações militares contra a Venezuela.

A explicação mais plausível, segundo o NYT, está na recente Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, que reivindica o direito de dominar a América Latina em recado à China. Procedendo sem legitimidade internacional ou respaldo nacional, Trump arrisca justificar ações semelhantes de China e Rússia contra vizinhos. O jornal teme caos: generais leais a Maduro não desaparecerão, podendo crescer violência de grupos como o ELN colombiano ou “coletivos” paramilitares, aumentando o sofrimento venezuelano, instabilidade regional e danos aos interesses americanos globais.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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