Atentado contra Secretário do Procon no Rio de Janeiro acende alerta sobre a “máfia dos combustíveis”

O Secretário Municipal de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires (@joaopiresx), foi alvo de um grave episódio de violência na madrugada desta terça-feira, 17 de março. O gestor foi perseguido por homens armados na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O caso está sendo tratado pelo prefeito Eduardo Paes como um atentado direto, motivado pelo trabalho rigoroso que Pires vem conduzindo contra grupos criminosos que fraudam combustíveis na capital fluminense.

Ataque e fuga

De acordo com o relato do secretário, dois homens em outro veículo emparelharam com o carro blindado em que ele estava na madrugrada desta terça-feira (17). Os criminosos abriram a janela e apontaram fuzis em sua direção. Pires então precisou realizar manobras de evasão e buscou refúgio em um posto de combustíveis, onde avistou uma viatura da Polícia Militar.

Secretário Municipal de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires. Foto: Print Rede Social.

Durante a fuga, o veículo do secretário chegou a colidir com outros carros e com uma bomba de abastecimento, mas, felizmente, ele saiu ileso fisicamente. O caso foi registrado como tentativa de roubo pela Polícia Civil, porém a principal linha de investigação foca na retaliação pelo seu trabalho de fiscalização, dado o perfil dos armamentos utilizados e a abordagem agressiva.

“Graças a Deus absolutamente nada aconteceu comigo, não tenho um arranhão. Tive o rápido suporte da minha família e das forças policiais. Ainda estou tentando entender o que aconteceu. O mais importante é que estou bem e com a minha família, a coisa mais importante dessa vida. Obrigada pelas mensagens de preocupação. Logo menos o susto passa”, afirmou Pires.

Prefeitura do Rio classifica episódio como atentado e reforça segurança

O prefeito Eduardo Paes manifestou-se de forma contundente sobre o ocorrido, classificando o episódio não como um incidente isolado, mas como um atentado direto ao poder público. Durante coletiva de imprensa realizada no Centro de Operações Rio (COR), Paes revelou que João Pires já vinha sendo alvo de ameaças recorrentes devido à sua atuação incisiva contra as máfias que operam no setor de combustíveis.

“São reiteradas as ameaças que o secretário recebe. Esse tipo de atentado apenas mostra que estamos no caminho certo”, afirmou o prefeito, cobrando uma investigação célere e eficiente das autoridades policiais.

Devido ao alto risco da função, o secretário já contava com protocolos de proteção específicos. Paes destacou que a administração municipal disponibiliza equipamentos de segurança reforçada para o gestor, incluindo o uso do veículo blindado que foi fundamental para sua proteção durante a perseguição em São Gonçalo.

“Estamos falando de um agente público que, há algum tempo, demanda de nós um cuidado especial com sua integridade. Ele tem agido com muita força e competência contra essa máfia de postos”, pontuou o prefeito. Após o ataque, a Polícia Militar informou que prestou suporte imediato ao secretário, escoltando-o até a 75ª DP (Rio do Ouro), onde a ocorrência foi formalmente registrada e as investigações foram iniciadas.

O combate à “máfia dos postos” no Rio

João Pires tornou-se um dos principais nomes do Procon Carioca ao liderar a campanha contra a manipulação de bombas e fraudes eletrônicas. Em 2025, sua gestão intensificou operações que revelaram esquemas sofisticados: em uma das ações em Benfica, bicos de etanol entregavam 25% menos combustível do que o registrado, lesando diretamente o consumidor.

Operações conjuntas com o IPEM têm resultado na interdição sistemática de postos, especialmente os de “bandeira branca”, que utilizam dispositivos para enganar a fiscalização. A exposição dessas irregularidades nas redes sociais do secretário trouxe transparência à população, mas também o colocou na mira de interesses econômicos poderosos e perigosos.

Solidariedade vinda da Paraíba

O episódio repercutiu em todo o país, gerando uma forte manifestação de apoio por parte de outros órgãos de defesa do consumidor. Em João Pessoa, o secretário do Procon municipal, Júnior Pires, utilizou suas redes sociais para prestar solidariedade ao colega carioca, destacando os sacrifícios pessoais envolvidos na função.

Em uma postagem em seu Instagram, Júnior Pires publicou uma mensagem de apoio direto ao colega:

“Não é fácil fazer esse enfrentamento. Renunciamos a muitas coisas quando fazemos essa escolha e muitas vezes temos de lidar com esse tipo de situação. Minha solidariedade @joaopiresx, que Deus te proteja, amigo. A luta é árdua, mas NÃO VAMOS PARAR!”

O cenário em João Pessoa

Assim como no Rio de Janeiro, a atuação de Júnior Pires na capital paraibana é marcada pela firmeza contra as irregularidades no setor de combustíveis. No entanto, essa fiscalização rigorosa também enfrenta obstáculos severos.

Recentemente, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) manteve uma decisão que limita o uso de redes sociais pelo secretário para a divulgação de operações. O contexto jurídico revela a complexidade da luta na capital: o próprio Tribunal reconheceu que proprietários de postos chegaram a utilizar precedentes judiciais falsos na tentativa de barrar as ações de fiscalização do Procon-JP, mesmo assim, manteve a restrição do uso das redes sociais para divulgação das operações.

Dos tribunais às ruas, a resistência contra a fiscalização tem se tornado cada vez mais hostil por parte de segmentos do setor que rejeitam a moralização e o controle do poder público. Se antes as armas limitavam-se a liminares judiciais e ataques à reputação das autoridades, o cenário atual aponta para o uso inaceitável da violência direta contra agentes públicos. Essa escalada criminosa prova que o combate à fraude em combustíveis não é apenas uma questão de defesa do consumidor, mas um desafio de segurança nacional que exige uma resposta firme e articulada do Estado.

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