Atos pró-regime no Irã criticam distúrbios e interferência estrangeira

Milhares de pessoas tomaram as ruas do Irã neste domingo e segunda-feira em manifestações pró-regime da República Islâmica, criticando os distúrbios que abalam o país há semanas e que, segundo levantamentos não oficiais de grupos de direitos humanos, já causaram centenas de mortes, incluindo pelo menos 490 manifestantes e 48 agentes de segurança. Esses atos de apoio ao governo contrastam com a onda de protestos antigovernamentais iniciada no final de dezembro, desencadeados pelo fim de subsídios a importações de alimentos, que elevaram a inflação e o custo de vida, afetando comerciantes e a população em geral.

O governo iraniano divulgou vídeos mostrando manifestantes armados, encapuzados e atirando nas ruas, além de cenas de vandalismo contra carros, prédios públicos e bloqueios de vias, enfatizando que essas ações extrapolam o protesto pacífico e configuram sabotagem organizada. O presidente Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV estatal, afirmou que protestos pacíficos são tolerados, mas condenou os distúrbios recentes como obra de “terroristas do estrangeiro”, relatando que policiais foram mortos a tiros, decapitados ou queimados vivos, com lojas e mercados destruídos. Autoridades de Teerã convocaram embaixadores de países que apoiaram os manifestantes para exibir essas imagens, acusando a CIA e o Mossad de incitar a violência para justificar uma nova guerra, após o fracasso em derrubar o regime na guerra dos 12 dias do ano passado, quando EUA e Israel bombardearam o país.

Diante da escalada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu intervenção militar para “ajudar” os manifestantes, informando que os militares americanos avaliam opções sólidas e que uma reunião com lideranças iranianas pode ser marcada, possivelmente após uma ação. O chanceler iraniano Abbas Araqchi alertou que os protestos se tornaram mais sangrentos após essas ameaças, enquanto o líder supremo Ali Khamenei chamou os agitadores de “vândalos” e “sabotadores”, declarando que o governo não recuará e conclamando a população a uma “marcha de resistência nacional” contra EUA e Israel.

O jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, professor de relações internacionais e editor da Hispan TV Brasil, avalia que os protestos econômicos iniciais, restritos a reclamações legítimas dentro das regras da República, descambaram para violência com a ação de grupos separatistas, frustração de jovens e incentivos externos visando o fim do regime de 1979. Segundo ele, a repressão inicial foi mínima, mas a declaração de Trump isolou os manifestantes, transformando o movimento em ameaça de soberania e criando consenso nacional contra os distúrbios, vistos como traição. Rocha destaca que o Irã assumiu a cadeia produtiva do petróleo pós-Revolução para o desenvolvimento nacional e permanece alvo do Ocidente por não se submeter à hegemonia, com pretextos variando de solidariedade aos protestos à energia atômica pacífica.

Enquanto ONGs como HRANA e Iran Human Rights reportam números crescentes de vítimas – de mais de 500 no domingo para até 648 na segunda-feira, com milhares de prisões e denúncias de massacre em meio a apagão de internet há dias –, o regime declara luto por “mártires” e escala o confronto, descrevendo a situação como batalha nacional pela segurança. O governo acusa infiltrados estrangeiros pelas mortes e ferimentos em centenas de policiais e militares, prometendo retaliação a qualquer intervenção externa.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais