O número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou 96,4% em 2025, em comparação com 2021. No ano passado, foram registradas 270 mortes de mulheres, em contraste com 136 vítimas em 2021.
Considerando os estados da Região Sudeste, 41% das mortes ocorreram em São Paulo. O levantamento foi realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta quarta-feira (4).
Samira Bueno, diretora executiva do FBSP, destacou que o caso de São Paulo chama a atenção devido ao grande aumento quantitativo, praticamente dobrando o número de feminicídios em quatro anos. Ela também ressaltou a preocupação com a violência contra a mulher no estado, mencionando casos recentes que ganharam visibilidade na imprensa.
Em todo o Brasil, no mesmo período de comparação, houve um crescimento de 14,5% nos registros de vítimas de feminicídios. Em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas desse crime no país.
Nos anos anteriores, de 2022 a 2024, o crescimento foi mais moderado, mas 2025 registrou um novo salto de 4,7%. O FBSP avalia que essa inflexão recente rompe a estabilidade dos anos anteriores e sinaliza um agravamento da situação.
A entidade também aponta que outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição e violência psicológica, vêm aumentando consistentemente. A redução das mortes em contextos de violência urbana ocorre em paralelo ao aumento da letalidade em contextos domésticos.
A análise do FBSP sugere que o crescimento dos feminicídios revela a persistência da violência de gênero no espaço privado. A violência doméstica, diferentemente da urbana, é influenciada por fatores estruturais como desigualdades de gênero e fragilidades na rede de proteção.
Dos casos com informação disponível, 148 mulheres (13,1%) tinham Medida Protetiva de Urgência quando foram mortas. O FBSP considera que, embora fundamentais, essas medidas têm sido insuficientes para impedir a letalidade em muitos casos.
Samira Bueno enfatiza que o Brasil possui uma das melhores legislações de proteção à mulher, mas a solução está na implementação efetiva das leis. Ela destaca que as forças de segurança falharam em proteger mulheres com medidas protetivas.
A fiscalização das medidas protetivas é responsabilidade dos executivos, que devem garantir a proteção das mulheres após decisões judiciais. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, marcando avanços no enfrentamento à violência de gênero no Brasil.
