Sete pessoas foram internadas no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, no nordeste da Bahia, com suspeita de intoxicação por ingestão acidental de metanol após consumirem bebidas alcoólicas em uma festa de noivado no último domingo. Seis delas deram entrada na emergência na tarde de segunda-feira, apresentando sintomas como vômitos, náuseas, tonturas, sensação de desmaio, falta de ar e visão turva, enquanto o sétimo paciente, um jovem chamado Vinícius, foi internado um dia antes e não participou do mesmo evento.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou os casos em nota oficial, destacando que os pacientes – dois homens e cinco mulheres – permanecem acolhidos, em observação e recebendo assistência médica integral. Os protocolos assistenciais para intoxicação química foram acionados imediatamente, e exames laboratoriais estão em andamento para confirmar o diagnóstico. Caso necessário, antídoto específico liberado pela Anvisa será administrado. Entre os internados estão a cantora Vivi Soares, sua irmã Josy Soares e a professora Edicleia Andrade, cunhada das duas. Vivi relatou ter acordado com sintomas que confundiu inicialmente com ressaca, mas logo percebeu visão turva, “como se tivesse um monte de vagalumes”. Edicleia, com quadro mais grave e diante da falta de vagas na UTI local, foi transferida na madrugada desta terça-feira para o Instituto Couto Maia, em Salvador. Profissionais de folga foram convocados para reforçar o atendimento no hospital.
A apuração das causas já foi iniciada com a mobilização de múltiplos órgãos: Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-BA), Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia (Ciatox-BA), vigilâncias sanitária estadual e municipal, Polícia Civil e Departamento de Polícia Técnica. Garrafas de bebidas foram apreendidas no estabelecimento comercial que as forneceu, para perícia, e depoimentos das vítimas estão sendo colhidos.
O metanol, substância usada na indústria química para solventes, adesivos e revestimentos, é altamente tóxico ao ser ingerido por humanos, podendo causar cegueira, falência de órgãos e morte mesmo em pequenas quantidades, diferentemente do etanol presente em bebidas alcoólicas comuns. Esse episódio na Bahia ocorre três meses após um surto nacional de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas, que entre 26 de setembro e 5 de dezembro registrou 890 notificações, 73 confirmações, 29 suspeitas e 22 óbitos confirmados – sendo um na Bahia. São Paulo liderou com 578 notificações e 10 mortes, seguido por Pernambuco, Paraná e Mato Grosso. O Ministério da Saúde encerrou em 8 de dezembro a sala de situação criada para monitorar a crise, ao registrar estabilidade epidemiológica, com estoques de antídotos garantidos em todos os estados e o último caso confirmado em 26 de novembro. A assistência agora segue o fluxo rotineiro via Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Na Bahia, o estado já havia recebido lotes de fomepizol e etanol farmacêutico em outubro para tratar casos semelhantes, incluindo a morte de um jovem em Juazeiro no último dia 10, ligada a uísque contaminado.
