Banco Central mantém projeção de crescimento econômico em 1,6% para 2026

O Banco Central (BC) manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026. No Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26), a instituição destacou que a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) está sujeita a maior incerteza devido aos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

O documento do BC alerta que, se o conflito se prolongar, os impactos predominantes devem consistir em um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e reduzindo o crescimento, embora alguns setores, como o petrolífero, possam se beneficiar. A autarquia acrescenta que a interrupção prolongada na distribuição de mercadorias e a capacidade de produção reduzida podem ter um impacto duradouro e significativo nos preços e na atividade econômica.

A projeção do PIB para o primeiro trimestre deste ano é a mesma divulgada em dezembro, refletindo a estabilidade da projeção de crescimento anual. Isso se deve ao resultado do quarto trimestre de 2025, próximo ao esperado, e à manutenção da perspectiva de expansão trimestral moderada ao longo de 2026. O cenário é condicionado pela expectativa de política monetária restritiva, baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, desaceleração da economia global e ausência do impulso agropecuário observado em 2025.

Em 2025, o PIB do Brasil cresceu 2,3%, impulsionado principalmente pela agropecuária. Para 2026, o cenário incorpora estimativas dos efeitos de medidas recentes que podem sustentar a demanda doméstica, como o aumento real do salário mínimo e a isenção ou desconto no Imposto de Renda Pessoa Física para determinados níveis de renda. O mercado de trabalho continua aquecido, com queda do desemprego e aumento dos salários.

O relatório também aborda as diretrizes das políticas do Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa Selic e avalia as perspectivas econômicas e de inflação. A Selic foi reduzida recentemente para 14,75% ao ano após um longo período de manutenção. No entanto, devido às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o ciclo de baixa, se necessário.

A inflação deve subir até o fim de 2026, mas deve recomeçar uma trajetória de queda, permanecendo acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. O IPCA deve terminar o ano em 3,6%, influenciado pelo aumento dos preços do petróleo. A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2026 subiu para 30%. A partir do próximo ano, a inflação deve cair, chegando a 3,1% no terceiro trimestre de 2028.

A projeção para o crescimento do saldo de crédito em 2026 aumentou para 9%, impulsionada pelo desempenho do crédito livre a pessoas físicas e do direcionado a empresas. Apesar do aumento, a projeção indica uma desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo, consistente com a atividade econômica doméstica e os efeitos da política monetária.

A projeção de déficit em transações correntes foi reduzida para US$ 58 bilhões em 2026, devido à melhora na projeção do saldo comercial, com crescimento das exportações superando o das importações. A elevação do valor projetado para as exportações resulta de um aumento esperado nos preços, especialmente de combustíveis, devido ao conflito no Oriente Médio. O déficit externo será financiado por capitais de longo prazo, principalmente por investimentos diretos no país, projetados em US$ 70 bilhões.

O conflito no Oriente Médio eleva riscos e incertezas, com possíveis repercussões no comércio internacional, nas cadeias de produção e nas condições financeiras globais.

Fonte: Agência Brasil

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