Banco Will: como clientes devem proceder após liquidação pelo BC

Clientes da Will Financeira, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central nesta quarta-feira, devem continuar honrando suas dívidas no prazo para evitar inadimplência registrada em cadastros como Serasa e SPC, orienta o especialista em mercado financeiro André Franco. Com a medida, a instituição controlada pelo Banco Master, que já opera sob regime especial desde novembro de 2025, deixa de funcionar imediatamente, com suas atividades interrompidas, administradores afastados e um liquidante nomeado para avaliar ativos, passivos e credores.

A decisão do Banco Central foi motivada pelo descumprimento, no dia 19 de janeiro, das obrigações de pagamento junto ao arranjo da Mastercard, resultando no bloqueio da participação da Will nesse sistema e agravando sua insolvência. Apesar de uma tentativa anterior de preservar a operação da financeira sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) após a liquidação do Banco Master, a autoridade monetária concluiu que a solução não era viável, considerando o vínculo de controle e o comprometimento econômico-financeiro da empresa.

Para quem tem dívidas, como faturas de cartão de crédito, as obrigações contratuais permanecem inalteradas e registradas no Sistema Financeiro Nacional. O não pagamento pode gerar restrições de crédito, mesmo com a empresa fora do mercado. Já os clientes com dinheiro em conta ou investimentos precisam aguardar o trabalho do liquidante, que definirá a ordem de pagamentos. O risco é mitigado para valores cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em depósitos e investimentos elegíveis, embora haja possibilidade de demora no ressarcimento. Produtos sem cobertura do FGC, como letras financeiras, expõem o investidor a maiores riscos de perda.

O conglomerado liderado pelo Banco Master representava 0,57 por cento do ativo total e 0,55 por cento das captações do Sistema Financeiro Nacional. O FGC estima pagar cerca de R$ 6,5 bilhões a credores, com base em dados de setembro de 2025, o que pode pressionar o fundo, já utilizado em resgates relacionados ao Master. O Banco Central informou que prosseguirá com apurações para responsabilizar controladores e ex-administradores, com indisponibilidade de bens e possíveis sanções administrativas. A Will Financeira, que atendia milhões de clientes com serviços de crédito, financiamento e investimentos, não respondeu a pedidos de posicionamento até o momento.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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