O técnico Cláudio Mortari faleceu na última quarta-feira, dia 25 de dezembro, em São Paulo, aos 77 anos, conforme anúncio da família nas redes sociais. Nascido em 15 de março de 1948 na capital paulista, ele construiu uma carreira de mais de 40 anos no basquete brasileiro, inicialmente como jogador no Palmeiras, onde encerrou sua trajetória atlética aos 25 anos para assumir o comando das equipes de base do clube, período em que ganhou seis prêmios de melhor técnico.
Em 1976, Mortari assumiu o time adulto do Palmeiras e, no ano seguinte, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1977, lançando nomes como Oscar Schmidt no profissional. Sua ascensão definitiva veio ao comandar o Esporte Clube Sírio, onde viveu a era de ouro do basquete nacional. Pelo clube da Avenida Indianópolis, liderou um elenco histórico com Oscar Schmidt, Marcel de Souza, Marquinhos Abdalla e outros craques ao título do Campeonato Mundial Interclubes de 1979, a primeira conquista de tal magnitude para um time brasileiro. Pelo Sírio, ainda levou três Campeonatos Sul-Americanos, em 1978, 1979 e 1984, e três Campeonatos Brasileiros, nos anos de 1978, 1979 e 1983, além de dois paulistas.
Convidado pelo bom retrospecto, Mortari assumiu a seleção brasileira masculina nos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, terminando em quinto lugar. Sua trajetória incluiu passagens vitoriosas por clubes tradicionais como Bradesco, Corinthians, onde ganhou o estadual de 1985, Pirelli, Telesp, Mogi das Cruzes, Mackenzie, Flamengo, com o Carioca de 2000, Campos, Paulistano, São Bernardo, Rio Claro, pelo qual ergueu o Campeonato Brasileiro de 1995 e o Paulista de 1994, e Esporte Clube Pinheiros, com a Liga das Américas de 2013 e vice na Copa Intercontinental no mesmo ano. Ao todo, somou cinco títulos brasileiros, dez estaduais por oito equipes diferentes e foi conhecido por um estilo de jogo ofensivo e vistoso.
Mais recentemente, entre 2018 e 2021, comandou o basquete do São Paulo Futebol Clube, conquistando o Campeonato Paulista de 2021. Também dirigiu seleções de base, como a juvenil vice-campeã mundial em 1979. O presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Marcelo Sousa, lamentou a perda: “Mortari foi um grande ídolo da nossa história. Um técnico de incrível qualidade tática, campeão. Mas, como pessoa, ainda melhor. Um gentleman, um professor. De uma educação e amizade incríveis. O mundo perde demais sem o Cláudio Mortari. O basquete perde um personagem e ídolo e nós perdemos um amigo. Um beijo na família, nos filhos. Vai-se o homem, fica a lenda. Descanse em paz e o risco por tudo que fez por aqui”. A modalidade nacional rende homenagens a um dos seus maiores treinadores, cujo legado de títulos e formação de talentos permanece como referência.
