BC liquida Reag ligada às suspeitas de fraude no Banco Master

Banco Central decreta liquidação da Reag Investimentos, envolvida em fraudes do Banco Master

O Banco Central decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, instituição financeira envolvida em suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master. A medida foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

Com sede em São Paulo, a empresa e seu fundador e ex-CEO, João Carlos Mansur, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na quarta-feira, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Mansur, que fundou a Reag em 2012 e a transformou em uma das maiores gestoras independentes de fundos do país, está no exterior, segundo informações divulgadas.

A decretação da liquidação representa um desdobramento significativo da investigação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. O Banco Central informou que, com a medida, os bens dos controladores e dos ex-administradores da Reag Investimentos ficarão indisponíveis, impedindo sua alienação pelos donos como medida preventiva contra a dilapidação do patrimônio.

A Reag atuava como administradora de cerca de 90 fundos de investimentos, cada um concentrando recursos de diversos investidores. Com a liquidação da empresa, os fundos permanecem ativos, mas precisarão buscar novas gestoras para administrar seus recursos. A instituição é suspeita de administrar fundos fraudulentos por meio de uma ciranda financeira de depósitos e retiradas que visava ocultar o beneficiário final do dinheiro.

Segundo as investigações, as fraudes podem superar R$ 11 bilhões e envolvem o desvio de recursos do Sistema Financeiro Nacional para abastecer o patrimônio pessoal dos envolvidos, principalmente de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus parentes. Fundos administrados pela Reag estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, conforme relatório do BC repassado ao Tribunal de Contas da União.

O envolvimento da Reag no escândalo aprofunda as conexões entre a empresa e as investigações que miram o suposto esquema de fraudes no Banco Master. Mansur não estava em sua primeira polêmica. Em setembro do ano anterior, renunciou à presidência do conselho de administração da Reag após a empresa ser alvo de operação contra o Primeiro Comando da Capital, que investigava lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento. Naquela ocasião, autoridades apontavam a Reag como suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas blindando patrimônio de grupos criminosos, acusação que a empresa negava.

O caso começou a ser investigado sob supervisão da primeira instância da Justiça Federal, mas foi alçado ao Supremo Tribunal Federal devido a suspeitas sobre o envolvimento de pessoas com foro privilegiado. O Banco Central informou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, podendo aplicar medidas sancionadoras de caráter administrativo e comunicações às autoridades competentes.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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