Bernie Sanders e Kamala Harris criticam ações de Trump na Venezuela

O senador Bernie Sanders e a ex-vice-presidente Kamala Harris, ambos do Partido Democrata, lançaram duras críticas às ações do presidente Donald Trump na Venezuela, condenando uma operação militar que culminou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Sanders, em vídeo publicado na rede social X, acusou Trump de demonstrar desprezo pela Constituição e pelo Estado de Direito dos Estados Unidos. Ele enfatizou que o presidente não tem autoridade para iniciar unilateralmente uma guerra, mesmo contra um líder como Maduro, descrito por ele como um ditador corrupto e brutal. “Os Estados Unidos não têm o direito de assumir o controle da Venezuela”, declarou o senador por Vermont, cobrando do Congresso uma resolução urgente para encerrar o que chamou de operação militar ilegal. Sanders argumentou que o ataque não torna o mundo mais seguro e que Trump usa a agressão externa para desviar a atenção das crises internas americanas, como o aumento nos custos de saúde, moradia e alimentos. Ele questionou o lema “América Primeiro”, sugerindo que a intervenção beneficia grandes petroleras em vez de priorizar problemas domésticos, e comparou a ação a intervenções imperialistas históricas na América Latina.

Harris, em declaração pública também na X, reforçou as críticas, afirmando que as ações de Trump não tornam os Estados Unidos mais seguros, fortes ou acessíveis. Apesar de reconhecer Maduro como um ditador brutal e ilegítimo, ela qualificou a operação como ilegal, imprudente e sem base legal clara ou plano de saída. A ex-vice-presidente alertou para os riscos a tropas americanas, o gasto de bilhões de dólares públicos e a desestabilização regional, vendo na manobra uma repetição de guerras por mudança de regime ou petróleo que historicamente geram caos. Harris rejeitou a justificativa de combate ao narcotráfico, apontando interesses energéticos e geopolíticos como os verdadeiros motores, e criticou Trump por indaltar narcotraficantes convictos enquanto marginaliza a oposição venezuelana legítima e busca acordos com figuras próximas ao chavismo. Ela defendeu um foco em famílias trabalhadoras americanas e alianças internacionais, em vez de Trump se posicionar como “ditador regional”.

As declarações dos dois democratas se somam a um coro de vozes críticas nos EUA, incluindo legisladores de ambos os partidos que pedem esclarecimentos ao Executivo sobre a autorização para o uso de força. A operação, coordenada pelo Comando Sul e forças especiais em Caracas, foi defendida pela Casa Branca como um ato de justiça internacional sem baixas americanas, mas reacendeu debates sobre os limites constitucionais do poder presidencial, que reserva ao Congresso a declaração de guerra.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais