Bicampeão de asa-delta morre ao cair de parapente no Rio

# Morte de Philip Haegler: A Tragédia que Enlutou o Voo Livre Brasileiro

Philip Eric Haegler, o bicampeão brasileiro de asa delta que se tornou uma referência histórica no voo livre nacional, morreu na tarde de quinta-feira (20 de novembro) aos 59 anos, vítima de um acidente trágico durante um salto de parapente em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro. O piloto, que possuía mais de 50 anos de experiência em voos e era ex-presidente da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL), saltou da rampa da Pedra Bonita por volta do meio-dia. Durante a descida, seu parapente colidiu com uma asa delta que voava na região, fazendo-o perder o controle. Em seguida, o piloto se chocou contra a fachada de um prédio na Avenida Professor Mendes de Morais, atingindo a altura do 11º andar, e caiu desacordado no hall do edifício. Socorrido pelos bombeiros do Rio de Janeiro, Haegler foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu ao dar entrada na unidade de saúde. A morte ocorreu apenas dois dias antes de seu aniversário de 60 anos, marcado para o sábado (22).

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para investigar as circunstâncias do acidente. A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP (Gávea), indicou que as condições climáticas adversas na quinta-feira contribuíram para o incidente, destacando que havia vento forte no momento do ocorrido. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli realizaram perícia no local e no equipamento utilizado por Haegler. Embora testemunhas inicialmente relatassem a colisão com outra asa delta, a investigação policial indicou não ter encontrado evidências conclusivas dessa batida no equipamento. Os investigadores suspeitam que o piloto tenha perdido o controle devido às condições de vento intenso e, consequentemente, colidido contra o prédio. O segundo piloto envolvido será convocado para depoimento, e aguarda-se o laudo técnico da perícia.

Philip Haegler conquistou o título de bicampeão brasileiro de asa delta em 1990 e 1992, consolidando-se como um dos nomes mais respeitados e reconhecidos do esporte no Brasil. Além de sua carreira como atleta de destaque, presidiu a Confederação Brasileira de Voo Livre, período marcado por avanços significativos na segurança da modalidade. Casado e pai de quatro filhos, Haegler era um empresário bem-sucedido que dedicou sua vida ao voo livre com paixão genuína. Sua relação com São Conrado e a Pedra da Gávea era tão profunda que ele descrevia esses locais como extensões de sua própria casa, tamanha a familiaridade e o amor que sentia por esses territórios de voo. Colegas de esporte recordam que, ao longo de mais de cinco décadas de dedicação, Haegler se tornou modelo para diversas gerações de pilotos, sendo lembrado pela generosidade, pela excelência técnica e pela importância fundamental na formação de atletas.

A Confederação Brasileira de Voo Livre divulgou nota de pesar em que destacou a importância histórica de Haegler para o esporte. “Com o coração profundamente tocado, comunicamos com tristeza o falecimento de Philip Haegler, um dos nomes mais marcantes e queridos da nossa comunidade do voo livre”, afirmou a entidade. A confederação descreveu Phil como alguém que “carregava uma luz própria, sempre de bom humor, disposto, generoso e com um brilho no olhar que só quem ama verdadeiramente o que faz consegue manter”. A nota ressaltou que ele foi um “piloto exemplar, apaixonado também pelo parapente, modalidade que abraçou com entusiasmo e dominava com maestria, sempre disputando no topo das competições, sempre respeitado pelo talento e pela postura”. A confederação concluiu que Haegler deixa “não só um esportista brilhante, mas um ser humano especial, que inspirava pela leveza, pela ética e pela alegria de viver”, deixando um legado eterno de amor pelo voo, pela comunidade e pela vida.

O Clube São Conrado de Voo Livre também se manifestou publicamente sobre a morte de seu associado. A instituição comunicou que “é com profunda tristeza que comunicamos o falecimento de um ícone do voo livre”. O clube destacou que “Philip Haegler deixa um legado que jamais esqueceremos, e sua bondade e generosidade tocaram a vida de muitas pessoas”. A entidade afirmou que Haegler “será lembrado eternamente como nosso bicampeão brasileiro de asa delta, que se apaixonou pelo parapente”. Em demonstração de respeito à memória do piloto, o Clube São Conrado de Voo Livre permaneceu com as operações suspensas no fim de semana seguinte ao acidente.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamentou a morte do piloto experiente e aproveitou a ocasião para reforçar questões sobre a segurança do voo livre. A agência destacou que, embora a prática do voo livre não exija habilitação do órgão, a modalidade envolve riscos significativos e depende fortemente das condições meteorológicas e geográficas. A Anac recomendou que praticantes busquem certificação em associações aerodesportivas para melhorar seus conhecimentos e segurança.

A morte de Philip Haegler representa uma perda significativa para a comunidade do voo livre brasileiro. Especialistas reforçam que o acidente foi uma fatalidade e destacam não apenas a competência técnica do piloto, mas especialmente sua generosidade e a importância que teve na formação de atletas ao longo de sua trajetória. Sua morte marca o fim de uma era para o esporte no país, deixando um vazio profundo naqueles que o conheceram e uma herança duradoura para as futuras gerações de pilotos que continuarão praticando as modalidades que Haegler tanto amava.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)