Biometria facial transforma acesso a estádios no Brasil

A prática de colecionar ingressos físicos para eventos esportivos está se tornando obsoleta no Brasil. Desde 2023, o acesso a estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas é feito por meio de biometria facial, eliminando a necessidade de apresentar um tíquete na entrada. O reconhecimento facial é realizado no momento da compra do ingresso, permitindo que o torcedor libere a catraca apenas com o rosto.

Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass, explicou que a biometria visa personalizar o ingresso, eliminando a possibilidade de fraude e circulação indevida. A exigência do uso de biometria em arenas com mais de 20 mil torcedores está prevista na Lei Geral do Esporte, de junho de 2023, que estabeleceu um prazo de dois anos para a adoção do sistema.

O Allianz Parque, em São Paulo, foi pioneiro na implementação total da tecnologia em 2023. A Bepass, responsável pelo sistema na arena do Palmeiras, relatou que a velocidade de entrada do público triplicou, e o clube aumentou em 30% o número de sócios-torcedores. Marcos Antônio de Oliveira Saturnino, torcedor, destacou a praticidade e rapidez do novo sistema ao frequentar a Arena Barueri.

A introdução da biometria facial também contribuiu para o aumento do público nos estádios, com destaque para a presença de mulheres e crianças. A média de torcedores no Brasileirão Masculino subiu após a obrigatoriedade da tecnologia. Clubes como o Santos adotaram o sistema mesmo sem a capacidade mínima exigida, estimando economias significativas ao eliminar a necessidade de carteirinhas.

A segurança é um dos principais argumentos a favor da biometria, com sistemas integrados ao Banco Nacional de Mandados de Prisão. No clássico entre Santos e Corinthians, três homens foram detidos graças ao reconhecimento facial. Parcerias nacionais, como o projeto ‘Estádio Seguro’, e estaduais, como o ‘Muralha Paulista’, reforçam a segurança nas arenas.

Entretanto, há preocupações sobre a privacidade dos dados coletados. O relatório ‘Esporte, Dados e Direitos’ questiona a tecnologia, citando riscos de privacidade e possíveis erros de identificação. Um caso em 2024, envolvendo a detenção equivocada de um torcedor, ilustra tais preocupações. Estudos apontam variações na acurácia dos algoritmos conforme raça e gênero.

Melchert defendeu a segurança e precisão do sistema, afirmando que os dados são armazenados de forma vetorizada e que falsos positivos são raros. Ele destacou o potencial de expansão da biometria para eventos fora do esporte, como shows, devido aos benefícios em segurança e combate ao cambismo.

Fonte: Agência Brasil

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