O Brasil deve adotar uma postura cautelosa diante dos ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel ao Irã, conforme apontam especialistas em relações internacionais. Esse comportamento é influenciado pelas negociações tarifárias em curso com os americanos e pela aliança com o Irã no Brics, grupo de nações do Sul Global.
Na manhã deste sábado, o governo brasileiro emitiu um comunicado condenando a ofensiva e defendendo o diálogo como caminho para a paz. A nota do Ministério das Relações Exteriores destaca que a negociação é a posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
O comunicado apela para que todas as partes respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, visando evitar a escalada de hostilidades e assegurar a proteção de civis e infraestrutura civil.
Mesmo em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano, os Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar contra alvos no Irã, com Israel também executando ataques. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra países vizinhos com bases americanas, afirmando que seu desenvolvimento nuclear tem fins pacíficos.
O professor Feliciano de Sá Guimarães, da USP, sugere que o Brasil deve encontrar uma posição intermediária entre Irã e Estados Unidos, especialmente considerando que o Irã é membro dos Brics. A expectativa é de que o presidente Lula se encontre com Trump nos EUA no fim de março para discutir tarifas de importação.
Desde a imposição de tarifas pelo governo Trump, os dois países têm negociado formas de buscar acordos comerciais. Recentemente, a Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão de Trump, que respondeu com novas tarifas.
Williams Gonçalves, da Uerj, destaca que a cautela do Brasil está ligada à sua posição no Brics, que inclui aliados do Irã como Rússia e China. A relação com esses países é importante para a estratégia internacional do Brasil.
Gonçalves também menciona a cautela do Brasil em relação às ações de Trump na Venezuela, referindo-se à captura de Nicolás Maduro. Ele ressalta que o Brasil sempre defendeu a autodeterminação dos povos e a não ingerência em outros estados.
Leonardo Paz Neves, da FGV, acredita que o Brasil pode ser afetado de forma limitada pelo conflito no Oriente Médio. Ele avalia que o posicionamento do governo foi protocolar, criticando o ataque, mas sem grande envolvimento.
O pesquisador comenta que, em meio a negociações com os EUA, o Brasil deve manter uma posição crítica institucional, chamando Irã e EUA para negociações, mas sem se envolver fortemente devido aos riscos econômicos e diplomáticos.
Os efeitos econômicos para o Brasil incluem a possibilidade de aumento do preço do petróleo, o que pode gerar inflação. Além disso, o comércio com o Irã, importante importador de produtos brasileiros como soja e milho, pode ser impactado se o conflito escalar.
