Forças israelenses iniciaram na terça-feira (20) a demolição da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) em Jerusalém Oriental.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, condenou a ação na quinta-feira (22), classificando-a como flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. O Itamaraty ressaltou que a medida contraria pareceres consultivos da Corte Internacional de Justiça de julho de 2024 e outubro de 2025 sobre as obrigações de Israel no território palestino ocupado.
A demolição segue aprovação do parlamento israelense no final de 2025 de legislação que autorizou o corte de água e eletricidade no prédio e permitiu a expropriação de imóveis da agência da ONU. Forças israelenses invadiram o complexo no bairro de Sheikh Jarrah pouco depois das 5h da manhã, expulsaram seguranças e utilizaram tratores para demolir as estruturas, sob supervisão de parlamentares e membros do governo de Israel.
Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, descreveu a demolição como um ataque sem precedentes contra as Nações Unidas e destacou que as instalações são protegidas pelo direito internacional. Ele denunciou que a ação representa um novo nível de desafio aberto e deliberado ao direito internacional por parte de Israel.
O complexo havia sido esvaziado de funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibiu as operações da agência em Jerusalém Oriental, embora a agência continue operando na Cisjordânia ocupada e em Gaza. Nos meses anteriores à demolição, autoridades israelenses haviam apreendido bens do local, incluindo móveis e equipamentos de informática, e substituído a bandeira das Nações Unidas por uma bandeira israelense.
O governo israelense justifica suas ações alegando que a UNRWA funciona como fachada para o Hamas e que alguns funcionários participaram do ataque de 7 de outubro de 2023. Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional, visitou o local e descreveu a demolição como um dia histórico e um dia de celebração para a governança de Jerusalém, afirmando que apoiadores do terrorismo estavam sendo expulsos.
A Organização das Nações Unidas, por meio de seu secretário-geral, pediu a Israel que suspenda imediatamente a demolição e exigiu a reconstrução dos edifícios. O porta-voz adjunto da ONU afirmou que as ações não estão de acordo com as obrigações claras de Israel pelo direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas.
Nas próximas semanas, novos cortes de água e eletricidade atingirão outras instalações da UNRWA que fornecem serviços de saúde e educação, conforme previsto pela legislação aprovada pelo parlamento israelense. A agência presta serviços essenciais a 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria.
Brasil, que exerce a presidência da Comissão Consultiva da UNRWA, reiterou seu firme apoio à continuidade das atividades da agência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve conversa telefônica com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, expressando satisfação com o cessar-fogo em Gaza e reafirmando o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio.
A demolição ocorre apesar de decisão da Corte Internacional de Justiça de outubro de 2025 que reafirmou que Israel é obrigado a facilitar as operações no local e que o Estado judaico não tem jurisdição sobre Jerusalém Oriental, considerada território palestino pela comunidade internacional.
