Brasil e Rússia defenderam o uso da energia nuclear para fins pacíficos em um documento assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin. O anúncio ocorreu durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Itamaraty, em Brasília.
Os dois países, membros do Brics, manifestaram interesse em expandir a produção de radioisótopos medicinais para atender às necessidades de saúde. O documento também destacou a promoção de projetos conjuntos para geração de energia nuclear e atualização da cooperação jurídica bilateral.
A reunião ocorreu no mesmo dia em que expirou o tratado New Start, que limitava armas nucleares entre EUA e Rússia. No evento, Brasil e Rússia também enfatizaram o interesse em cooperação nas indústrias farmacêutica, médico-hospitalar, construção naval, tecnologias digitais e segurança cibernética.
O documento ressalta o multilateralismo e critica medidas coercitivas unilaterais, consideradas ilícitas e incompatíveis com o direito internacional. As autoridades destacaram que tais ações violam direitos humanos e prejudicam o desenvolvimento sustentável.
O presidente Lula, em nota oficial, destacou a urgência em fortalecer o multilateralismo e a importância de acompanhar iniciativas para resultados concretos entre os países. Ele afirmou que as cifras comerciais ainda não refletem o potencial das economias do Brasil e da Rússia.
Alckmin e Mishustin destacaram a força da parceria comercial, especialmente no setor agrícola, e a possibilidade de ampliar importações, exportações e cooperação em pesquisa. Alckmin ressaltou a centralidade dos países na segurança alimentar global.
O fluxo comercial entre os países em 2025 foi de US$ 11 bilhões, com mais importações do que exportações para o Brasil. Alckmin apontou a necessidade de diversificar a relação comercial além de produtos primários, incentivando parcerias em tecnologia, energia e saúde.
Mishustin destacou a importância de estreitar contatos diretos, afirmando que o mercado brasileiro é um dos principais para produtos russos na América Latina. Ele e Alckmin concordaram em diversificar o comércio e lançar projetos de longo prazo.
Na área farmacêutica, Mishustin mencionou boas perspectivas de cooperação, com condições favoráveis para produtos inovadores russos no mercado brasileiro, incluindo medicamentos para câncer e diabetes.
O primeiro-ministro russo também destacou a possibilidade de transferência de tecnologia e cooperação regulatória com o Brasil, além de mencionar investimentos russos em cibersegurança e inteligência artificial.
