Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares da série histórica iniciada em 1982, com fluxo cambial total negativo de US$ 33,316 bilhões[1][2]. Esse volume é inferior apenas ao registrado em 2019, quando a saída somou US$ 44,768 bilhões[1].
O resultado negativo foi principalmente impulsionado pelo **canal financeiro**, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões, a segunda maior da série histórica, atrás apenas de 2024[1][2]. Esse canal engloba investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamentos de juros e outras operações financeiras[1].
Em contrapartida, o **canal comercial** apresentou uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para compensar a evasão financeira[1][2]. Esse saldo positivo é menor que o pico de 2007 e também inferior ao de 2024[1]. O principal fator para a menor entrada de dólares pelo comércio foi o aumento das importações, com o volume de câmbio contratado para compras externas alcançando US$ 238 bilhões, o segundo maior da série, atrás apenas de 2022[1][2]. As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano[1].
Apesar da saída expressiva de dólares, o real se valorizou ao longo de 2025, sustentado por juros elevados no Brasil e pelo enfraquecimento global do dólar[1][2]. Isso estimulou posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos, compensando o fluxo cambial negativo[1]. O Banco Central atuou de forma limitada no mercado à vista, com apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, via mecanismo de “casadão”, que combina venda de dólares das reservas com swaps cambiais reversos, aliviando a taxa de juros em dólar sem impactar o câmbio[1].
Em dezembro, o Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 13,562 bilhões[3]. O canal financeiro registrou saída líquida de US$ 20,982 bilhões, enquanto o segmento comercial apresentou saldo positivo de US$ 7,421 bilhões[3]. Esse resultado em dezembro refletiu principalmente remessas de dividendos ao exterior. Os envios foram intensificados por empresas que buscaram se antecipar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que começou a ser tributada em 10% a partir de janeiro de 2026[5].
O fluxo cambial funciona como prévia do balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo Banco Central, e é composto pelo fluxo comercial, que inclui fechamentos de câmbio para exportações e importações, e pelo fluxo financeiro, que engloba investimentos, empréstimos e transações financeiras[1]. Os dados confirmam que em 2025 a fuga de dólares ocorreu predominantemente no canal financeiro[1].
